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2 de dezembro de 2010

Pressupostos da ciência e da religião

"Há essa coisa de ser tão mente-aberta, que seus miolos caem", Richard Dawkins.

Ateísmo e os Pressupostos da Ciência e da Religião - por Christina S. Chein.

Eu tenho que creditar Richard Dawkins por ter algum senso de humor, porque achei o comentário bastante engraçado. Mas eu acho que Dawkins também deveria saber que há essa coisa de ser tão mente-fechada, que seus miolos morrem. Dawkins está entre os vários ateístas por aí que advocam o "fundamentalismo" científico, convencendo pessoas a abraçar a ciência e abandonar suas crenças religiosas porque elas são não apenas "perigosas", mas também irracionais. De acordo com ele, pessoas religiosas são mente-abertas demais por acreditarem em algo que não é provável. O que Dawkins e muitos outros falham em perceber é que descobertas científicas que tem sido "provadas" como "verdadeiras" são todas fundadas em pelo menos seis pressupostos que não são racionalmente apoiados (comparados a zero pressupostos que fazem os teístas que dizem não saber a natureza de Deus); portanto, a ciência depende amplamente de fé e não deveria ser considerada como mais - e talvez devesse ser considerada como menos - confiável que a religião.

Visto que a ciência começa com pelo menos três pressupostos que não podem ser provados, pode ser mais racional levar a ciência menos a sério do que a religião, que começa com zero. Antes que os cientistas realizem qualquer tipo de experimento, eles começam com esses pressupostos básicos: (1) que os procedimentos experimentais serão realizados adequadamente sem nenhum erro intencional ou não-intencional que afetará os resultados; (2) que os experimentadores não serão consideravelmente tendenciosos sob seus preconceitos do que acontecerá ; (3) que a amostra aleatória é representativa de toda a população e que qualquer amostragem aleatória que não for, não afetará significavelmente os resultados; (4) que há ordem no universo; a maioria das coisas - senão todas - na natureza deve possuir pelos menos uma causa natural; (5) que há algo chamado Realidade Objetiva ; e (6) que a ciência corresponde, ao menos em parte, a essa Realidade Objetiva. Portanto, quando pensamos nisso mais a fundo, a base da ciência é, na verdade, fé, termo normalmente usado para descrever a religião, não a ciência. Em comparação, teístas que afirmam que Deus existe e não afirmam saber qualquer coisa sobre Deus baseiam sua crença em um fato atualmente verdadeiro: que nem tudo pode ser explicado por meios naturais. Porque cientistas fazem pelos menos seis pressupostos e teístas não fazem nenhum, é realmente (e ironicamente) mais racional acreditar em Deus do que na ciência.

O primeiro contra-argumento a esse ponto é que a base da ciências não é a fé porque ela é baseada em pressupostos racionais. Muitas pessoas assumem que fé e razão devem ser mutualmente exclusivas. Mas a base desse contra-argumento depende de como a "fé" é definida. Se alguém define a fé como "crença apesar da ausência de provas, ou mesmo por causa dessa ausência", como Richard Dawkins a define, então sim, ciência não é baseada em fé. Se alguém define fé como "crença em algo, sem certeza", então a ciência é baseada em fé. Mas não importa como alguém define a fé, todos podemos concordar que o coração da ciência é a incerteza. Nós não temos certeza que as premissas que fazemos estão corretas. Nós também também não temos certeza que os resultados que obtemos estão corretos. Mesmo cientistas (ou ao menos cientistas racionais) admitem que sua disciplina, a ciência, está sujeita a erros.

Assim sendo, a ciência é baseada em incerteza, mas de acordo com os proponentes do segundo contra-argumento, a ciência é também auto-corrigível e auto-validável. Nós replicamos um experimento para garantir a certeza de que os resultados que obtemos estão corretos. Se nós reproduzirmos um experimento muitas vezes e descobrirmos que nossos resultados não são compatíveis com a conclusão original [inicial], podemos estar honestamente seguros de que a conclusão original está errada. Se reproduzimos um experimento muitas vezes e descobrimos que os resultados estão de acordo como a conclusão original, isso significa que podemos estar honestamente seguros de que a conclusão original está validada ou correta. O problema com esse contra-argumento é que mesmo que a ciência seja auto-corrigível, o único jeito de corrigir os erros que cometemos agora é realizando mais experimentos, ou seja, os mesmos pressupostos devem ser feitos cada vez que experimentos adicionais forem realizados. Também, o contra-argumento da auto-validação é falho, e o seguinte exemplo pode demonstrar essa falha: digamos que um experimento foi realizado 1.000 vezes, e tivemos o mesmo resultado 990 vezes. O contra-argumento diz que nós podemos concluir racionalmente (mesmo que nunca possamos saber com certeza absoluta) que o resultado está correto. Isso é mesmo que dizer: se jogamos uma moeda 1.000 vezes e conseguir cara, nós podemos concluir racionalmente que há mais de 50% de chances de conseguirmos cara. Mas isso não é verdade. De acordo com as estatísticas, se jogarmos uma moeda infinitas vezes, descobriríamos que há realmente apenas 50% de chances de conseguirmos cara. O que importa é o longo prazo. Portanto, precisamos jogar as moedas ou realizar um experimento infinitas vezes para concluir racionalmente que conseguimos o resultado certo. Este é um desafio impossível. Logo, é impossível que determinemos acuradamente se os resultados que conseguimos estão certos, independente de quantas vezes nós efetivamente reproduzimos o experimento.

Essa réplica ao segundo contra-argumento não é infalível. Deveria ser ressaltado que os estatísticos estão fazendo um suposição quando afirmam que só há 50% de chances de obter cara. A afirmação nunca foi provada. Nós nunca jogamos uma moeda infinitas vezes para demonstrar a validade da afirmação, então, admitidamente, é apenas um pressuposto. No entanto, apesar de eles estarem fazendo uma suposição neste caso, estão fazendo apenas uma suposição razoável, comparado às seis suposições que os cientistas fazem antes de realizarem qualquer tipo de experimento. Assim, o ponto de que a ciência tem mais pressupostos e talvez deva ser considerada menos válida continua em pé.

O terceiro contra-argumento encara o problema de que talvez os cientistas não façam tantas suposições quanto está sendo afirmado aqui. Nós não assumimos que os experimentadores realizarão o experimento perfeitamente, nem esperamos que eles não tenham preconceitos. Nós também não assumimos que a amostra aleatória sempre será representativa da população, e nós entendemos que uma amostra aleatória que  não for, pode mudar as conclusões que traçamos sobre o experimento. A ciência permites erros. Mas o único jeito de retificarmos tais erros ou validar os resultados que obtemos é fazendo mais experimentos. Esse ponto já foi encarado pelo segundo contra-argumento, especificamente com o exemplo da cara e coroa. Deste modo, nossos erros nunca serão completamente retificados a menos que realizemos um experimento infinitas vezes. E, mesmo assim, as pessoas acreditam na ciência. Isso sugere que essas pessoas continuam assumindo que os erros dos experimentadores e a ocasional amostragem aleatória não representativa não afetará significantemente os resultados, pressupostos que são importantíssimos e injustificáveis.

Por fim, o ultimo contra-argumento diz que a qualidade dos pressupostos pode ser mais importante que a quantidade. Nós intuitivamente sabemos que há certas suposições que parecem mais garantidas que outras. Por exemplo, o pressuposto de que o sol nascerá amanhã é mais sensato que o pressuposto de que existem fadas do dente. Assim, o pressuposto de que Deus existe pode ser apenas um pressuposto, mas visto que é um pressuposto bem grande, talvez seja mais racional acreditar na ciência, que faz alguns pressupostos "sensatos". Para examinar este ponto mais de perto, devemos olhar para os pressupostos que tanto os cientistas quanto os teístas fazem. Um teísta (novamente, um que não afirma conhecer a natureza de Deus) não faz nenhum pressuposto, mas baseia sua crença no fato de que nem tudo pode ser explicado por meios naturais, no momento; essa crença é verdadeira até agora porque nem tudo foi explicado por meios naturais. Apesar de que muitas pessoas gostam de atribuir o ônus da prova aos teístas dizendo que é trabalho deles provar que há um Deus, o ônus da prova está, na verdade, na ciência, para mostrar que o corrente fato verdadeiro com o qual o teísta começa é falso. A única maneira de fazer isso é provando que tudo no mundo natural tem explicação natural, algo que até agora os cientistas estiveram impossibilitados de fazer. Em vez disso, eles apenas assumem que tudo pode ser explicado por meios naturais, e esse pressuposto, até o momento, não é verdadeiro. Outros pressupostos como a crença de que há uma Realidade Objetiva e que a ciência corresponde a essa Realidade Objetiva também não foram mostrados como verdadeiros. Além do mais, os pressupostos mais sensatos que os cientistas fazem nem sempre são verdadeiros. Nós sabemos que há experimentadores que cometem erros e que são influenciados pelo que eles percebem ser o resultado provável de seu experimento, e esses erros e predisposições podem influenciar os resultados. Nós também sabemos que amostras aleatórias que não são representativas da população total podem afetar negativamente o resultado. Assim, mesmo baseado na qualidade dos pressupostos, pode ser mais racional acreditar em Deus do que acreditar na ciência, pelos menos por enquanto. Deste modo, pode não ser racional pressupor que os pressupostos se sustentarão no futuro; talvez, nós realmente iremos descobrir que tudo possui pelo menos uma causa natural. Mas ao menos agora, por que não acreditar em Deus em adição à ciência?

Oponentes dessa réplica podem argumentar que é falacioso assumir que há explicação sobrenatural só porque não fomos capazes de explicar tudo por meios naturais. É possível que haja outras explicações (presumidamente naturais) - nós apenas não as conhecemos ainda. Portanto, nós deveríamos fazer uma afirmação mais modesta: que Deus pode existir, mas dizer que Ele realmente existe é uma posição muito forte. Eu vou admitir este argumento, mas gostaria de adicionar que é apenas tão falacioso quanto tomar por certa a lei da gravidade. Primeiro, a lei foi descoberta sob um conjunto de pressupostos que sabemos (1) ter sido falso no passado (2) atualmente não ser verdadeiro. Em comparação, a crença em Deus é baseada em um fato. Segundo, pode haver outras explicações além da gravidade (seja natural ou sobrenatural) que descrevam por que as coisas caem - nós apenas não as sabemos ainda. Portanto, a gravidade pode existir, mas dizer que ela realmente existe é uma posição muito forte. Assim, aqueles que duvidam da existência da Deus deveriam duvidar da existência da gravidade também (bem como todas as outras leis da ciência que muitos de nós tomamos como certas). O problema é: muitas pessoas duvidam da primeira, mas não da segunda.

Há aqueles que podem argumentar que teístas estão fazendo exigências injustas aos ateístas para provarem ou contestarem cientificamente a existência de Deus de maneira que alguém não faria com o alegado teísta. No entanto, é impossível para um teísta (ou para qualquer outro, de fato) provar a existência de algo ou alguém. Por exemplo, alguém pode argumentar que eu devo acreditar que os membros da minha família existem, porque eu posso vê-los, mas o contra-argumento é que, às vezes, pessoas veem coisas que não existem de verdade. Esse exemplo mostra que qualquer tentativa de provar a existência de alguém sempre será recebida com ceticismo, e assim, qualquer teísta que é intimado por céticos a provar com segurança a existência de Deus está encarando um desafio impossível. Na verdade, cabe aos cientistas que são ateus incluir a existência de Deus como inquérito científico e usar o modelo de dedução falseável para questionar a existência de tal Ser. Se eles estabelecerem a hipótese para "nem tudo pode ser explicado por meios naturais", e com sucesso mostrassem que tudo pode ser explicado naturalmente, então não haveria nenhuma necessidade de acreditar mais em Deus. Claro, mesmo que a hipótese fosse falseada, não significaria definitivamente que Deus não existe, significaria  apenas que um alicerce racional [científico] para acreditar em Deus não existiria mais. Isso seria uma razão boa o bastante para negar a existência de Deus - mas apenas se for claramente demonstrado que tudo no mundo natural pode ser explicado por meios naturais.

Em adição, esses oponentes podem argumentar que nós somos apenas seres limitados e que não sabemos tudo agora; portanto, é mais simples e melhor assumir, por momento, que não somos oniscientes do que assumir que Deus existe. Esse argumento pode ser sucintamente resumido aqui: a racionalidade da crença de alguém na ciência  ≤ a racionalidade da crença de alguém em Deus  ≤ a racionalidade da posição de que não sabemos de tudo. Apesar de que ultima posição pode ser a mais racional, seríamos forçados a ser céticos sobre tudo, incluindo coisas que a maioria de nós tomam por certas. Adicionalmente, o ponto de que a crença em Deus é pelo menos tão racional quanto a crença na ciência continua em pé porque a racionalidade da crença de alguém na ciência continua = a racionalidade da crença de alguém em Deus. Portanto, aqueles que não acreditam em Deus não deveriam acreditar na ciência, porque, caso contrário, sua crença não teria sentido.

O ponto aqui não é provar a existência de Deus, nem negar a credibilidade da ciência. Desta maneira, tentar invalidar a crença em Deus sem considerar a questão da ciência ou tentar manter a credibilidade da ciência sem considerar a questão de Deus não refutará minha afirmação de que a crença na ciência e a crença em Deus estão em pé de igualdade. Isto é que permite que o argumento seja tão flexível. Se um contra-argumento é feito contra Deus, eu posso facilmente invertê-lo e usá-lo contra a ciência. A crença em Deus e a crença na ciência continuaria em pé de igualdade - talvez igualmente falaciosas, mas ainda em pé de igualdade. Se alguém tenta argumentar que nós devemos aceitar a ciência, isso é perfeitamente normal, porque eu não estou tentando negar a credibilidade da ciência - eu apenas acrescentaria que devemos aceitar Deus, igualmente. A única maneira de evitar esse problema é oferecer um contra-argumento contra Deus que não possa ser usada contra a ciência. Fazer isso é bem difícil (se não for impossível) considerando as incertezas do mundo em que vivemos e da própria ciência.

Apesar das incertezas na ciência, nós ainda temos esse instinto oculto de confiar na ciência, a confiar em Deus, porque a ciência está contida nas nossas experiências imediatas, e Deus não está. Mas esse instinto não está necessariamente correto. Com frequência, temos instintos que nos enganam. Por exemplo, a maioria de nós acredita que quanto mais vezes apostamos, mas chances temos de ganhar dinheiro. As estatísticas mostram que quanto mais vezes apostamos, mais dinheiro nós, de fato, perdemos. Assim, só porque nós temos o instinto de confiar na ciência, a confiar em Deus, não significa que o instinto seja justificado, e sobre avaliação racional e mais profunda, o instinto desmorona por causa de todas os motivos indicados nos parágrafos anteriores.

Ainda que a ciência faça mais pressupostos injustificáveis que a religião, alguns ainda podem argumentar que é mais racional acreditar na ciência, a acreditar na religião, porque há mais evidências que apoiam as afirmações feitas na ciência do que há para a religião. Esse ponto foi levantado por Antony Flew, que declarara que teístas acreditarão em Deus mesmo em face de evidências esmagadoras para sua não-existência. Para ilustrar esse ponto, Flew descreve uma parábola em que uma pessoa (o Crente) afirma que deve haver um jardineiro tomando conta de um jardim cultivado, enquanto a outra pessoa (o Cético) nega a existência desse jardineiro. Eles decidem esperar que esse jardineiro apareça, mas ele nunca vem. Então eles constroem uma cerca em volta do jardim, uma cerca capaz de eletrocutar e até detectar a presença de um jardineiro invisível, mas mesmo assim, não há gritos de dor do jardineiro invisível que indiquem que ele esteja sequer na vizinhança. Apesar da falta de verificação, o Crente insiste que o jardineiro invisível existe. O ponto de Flew é que um teísta é parecido com o Crente, porque ambos continuarão acreditando sem nenhuma consideração pelo número de evidências suportando a crença ou a descrença. Ele conclui perguntando ao teísta: "O que precisaria ocorrer ou haver ocorrido para constituir para você uma refutação do amor de - ou da existência de - Deus?"

Eu gostaria de inverter a questão e perguntar a Flew: "O que precisaria ocorrer ou haver ocorrido para constituir para você uma prova do amor de - ou da existência de - Deus?" Com certeza, a questão não mais se aplicaria a ele, que se converteu do ateísmo para o deísmo, mas a questão ainda se aplicaria àqueles que continuam ateístas. O problema é que a maioria dos ateístas exigem evidências incontroversas quando se trata da existência de Deus, mas quando se trata da ciência (ou qualquer disciplina relacionada a ela), eles aceitam tão cegamente. Sobre verificação, no entanto, a crença em Deus é, no mínimo, tão racional quanto a crença na ciência, porque teístas, na realidade, fazem menos pressuposições que um cientista e porque as duas crenças são igualmente falaciosas (tanto o teísta quanto o cientista estão cometendo a falácia conhecida como argumento da ignorância [argumentum ad ignorantiam]). Assim, aqueles que são céticos quanto à existência de Deus devem ser igualmente céticos sobre as afirmações feitas pela ciência. Não é racionalmente aceitável que uma pessoa seja realmente cética sobre a existência de Deus e apenas um pouco cética sobre as descobertas feitas pela ciência.

É tempo de reconhecer a racionalidade da religião e da ciência ou a falibilidade de ambas. O fato é que a ciência não é tão sólida quanto a maioria dos ateus fazem as pessoas acreditarem, e aqueles promovendo o "fundamentalismo" científico não são diferentes de religiosos fundamentalistas doutrinando outros com suas crenças radicais. Como deve ser mencionado de novo, cientistas fazem pelo menos seis pressuposições (três que nem sempre são verdadeiras e o resto atualmente não verdadeiras) enquanto teístas baseiam sua crença em um fato atualmente verdadeiro, um ponto que sugere que acreditar em Deus é mais racional que acreditar na ciência. Outros argumentos como o que diz que a lei da gravidade (assim como outras leis na ciência) e a crença em Deus são igualmente falaciosas sugerem que a crença em Deus e a crença na ciência são apenas igualmente creditáveis. Portanto, sobre profunda inspeção, a religião (excluindo seu apoio para o argumento "Deus é bom" e suas histórias) é, no mínimo, tão sólida quanto a ciência, se não mais.

Vanderbilt University
Nashville, Tennessee
Christina S. Chein

Original em http://lyceumphilosophy.com/?q=node/117: Atheism And The Assumptions Of Science And Religion.
Traduzido por Vinicius Oliveira.
*Ver citações e notas no artigo original.

23 de novembro de 2010

Grandes mitos sobre a Igreja Católica #2

Sem dúvidas, as Cruzadas representam a série de episódios mais violentos da história do cristianismo. No entanto, o mais interessante não é a violência, as mortes e tragédias, mas a desonestidade que se comete quando se inicia uma discussão sobre as Cruzadas sem mencionar o Islã e os motivos que as levaram a acontecer. Muito será dito aqui sobre casos não relacionados às Cruzadas, para que se entenda o contexto das coisas, tanto hoje como no passado.

Ora, guerras são violentas e desencadeiam tragédias, mas é evidente que muitas guerras se justificam, enquanto outras, obviamente, nem com muita cara de pau. Tenhamos em mente o conceito de justiça: aquele que fere garante ao ferido o direito de ferir quem o implicou ferimento; aquele que ofende, dá o direito de ser ofendido; aquele que sufoca, dá o direito de ser sufocado. Há fatores que atuam sobre a justiça humana, e muitas vezes o assassino não será condenado, e mesmo o mais impuro pode ser perdoado. Deus, sendo misericordioso, amoroso e benevolente, é capaz de perdoar a injustiça e oferecer redenção ao injusto, mas se a injustiça não pode ser reparada através do amor, exigirá que se repare por si mesma.

Isto significa dizer que, diante da ação injusta que nem pelo amor e perdão pode ser contida, só mesmo a reação em sentido contrário e com força equivalente pode restaurar a justiça de novo. Nesse sentido, a justiça opera como uma lei da natureza. O que Newton descreve em sua terceira lei relativa ao movimento de objetos físicos, equivale ao que nós, humanos, podemos chamar de justiça pura.

Em Apocalipse 13: 10, está revelado: "Aquele que levar para o cativeiro, irá para o cativeiro: aquele que matar à espada, importa que seja morto à espada". Ao tentar absorver valores como o amor e a compaixão pregados por Cristo, podemos entender a injustiça e dar ao injusto uma segunda chance, mas quando a segunda chance é descartada, ou a terceira e quarta, não faremos errado em agir com justiça, "pagando com a mesma moeda", pois ser justo também é recomendação de Deus. Certamente, nem sempre a justiça será agradável aos olhos de terceiros. Se somos feridos e, em seguida, ferimos, não seremos diferentes de quem nos feriu, e por isso não é errado que perdoemos.

No entanto, não é certo que, quando vemos o próximo sendo ferido, fiquemos parados. Se o assassino mata o pai e a mãe e se dirige à irmã, que deve fazer o filho? Assistir imóvel e conformado? É certo que não. Uma reação, neste caso, é fruto direto da busca pela manutenção da justiça. Em um quadro maior, em que um povo extermina injustamente a outro, a reação do povo que está sendo exterminado é lícita e se justifica no próprio conceito de justiça: esta absoluta e transcendental, que se nota além do da própria humanidade.

Diante disto, é certo que há guerras que se justificam: as guerras justas. De acordo com Santo Agostinho, uma guerra "só se justifica pela injustiça de um agressor, e que essa injustiça constitua fonte de sofrimento para algum homem bom, sendo isso uma injustiça humana". Na Summa theologiae, São Tomás argumenta que "requer-se uma causa justa, ou seja, que aqueles que são atacados o mereçam por terem cometido alguma falta". E segundo Francisco de Vitória, teólogo do Século XV, "quando rebenta uma guerra por uma causa justa, não deve ser empreendida para destruir o povo contra o qual é dirigida, mas somente para obter os direitos e a defesa do próprio país e para que, com o tempo, dessa guerra possam advir a paz e a segurança".

As Cruzadas, o Islã e a "intolerância" cristã

Feita esta introdução, olhemos para as Cruzadas. Costuma-se pensar que as Cruzadas ocorreram sem motivo, sem causa justa, como forma de impor o cristianismo pela espada àqueles que ainda não faziam parte do Império Cristão. Nada se fala sobre Jihad e expansionismo islâmico, e quando se fala, é incrível a desonestidade. Em artigo intitulado "Compreendendo a Realidade do Islam e dos muçulmanos" (http://www.arresala.org.br/not_vis.php?op=112&data=0&cod=555), lê-se o seguinte: "A pretensão de se aliar o Islam a ideia da violência se deve principalmente a seu caráter expansionista. Em geral, os historiadores cometem um erro crasso ao atribuir a expansão islâmica a uma fantasiosa 'propagação da fé pela espada'. Isto [...] não foi verdadeiro no passado, como não tem sido na atualidade".

O autor ainda acrescenta: "Se é uma verdade que todas as grandes civilizações e religiões possuem um histórico sangrento, é igualmente verdadeiro que nenhuma delas cometeu maiores atrocidades, massacres e genocídios em nome da fé do que o Cristianismo. [...] A fé cristã sim, foi imposta à força pelos europeus, e todo derramamento de sangue perpetrado teve a chancela da 'salvação oferecida aos povos'. Este é um fato histórico indiscutível". E, sobre a veracidade histórica das acusações contra o Islã, afirma que "o expansionismo islâmico, e os historiadores modernos em sua maioria concordam, não se operou através dessa crença da 'conversão pela espada' pois o próprio texto alcorânico a invalida".

Lendo tais afirmações, não mais penso que os professores marxistas são campeões em desonestidade e difamação baseados em mentiras que nem a uma criança de doze anos parecem cabíveis, na tentativa desesperada de doutrinação. Antes de refutar as afirmações, ressalto o trecho que diz que "os historiadores modernos em sua maioria concordam" que o Islã não converteu pela espada, porque é fácil afirmar que a maioria dos historiadores dizem isso ou aquilo sem ter nenhuma referência. Ou melhor, é citado apenas duas referências: Lacy O'Leary, que nem mesmo era historiador e James Michaner, que afirma que "o Alcorão é explícito no apoio à liberdade de consciência". Será?

Lemos no texto que "o Profeta [...], no cumprimento de sua missão, se dirigiu aos cristãos e judeus com respeito e dialogou com eles. Ordenou pessoalmente e por escrito decretou a proibição de qualquer agressão ou perturbação dos monges e seus monastérios". No entanto, "o Estado Islâmico tem o direito de exigir um tributo dessas comunidades e de exigir que não alimentem revoltas ou sedições ou ainda que não pratiquem proselitismo".

Essas informações são suficientes, e todas merecem uma boa atenção. Enquanto os Islâmicos pousam de bonzinhos para o Ocidente cristão, negam o holocausto e chamam o cristianismo de religião mais genocida da história, o que acontece se um cristão ousar falar contra Maomé? Bom, vejamos o recente exemplo de Asia Bibi, a cristã condenada à enforcamento, por blasfêmia, no Paquistão. Como informa a Folha, "um grupo de camponesas muçulmanas [...] protestou, afirmando que uma mulher não muçulmana não deveria tocar o jarro d'água do qual elas também beberiam. Dias depois, o grupo de muçulmanas procurou um clérigo local e denunciou Asia, indicando que ela teria feito comentários depreciativos sobre o profeta Maomé. O juiz Navid Iqbal, que a condenou à morte por enforcamento, 'excluiu completamente' qualquer hipótese de que a ré tivesse sido falsamente acusada" (http://www1.folha.uol.com.br/mundo/829174-mulher-crista-e-condenada-a-morte-por-enforcamento-no-paquistao.shtml).

A mãe de cinco filhos, portanto, será enforcada por ter sido acusada de blasfêmia, ainda que não haja evidências para tal atitude, depois de clara manifestação de intolerância e desprezo de muçulmanas para com a cristã por causa de um balde de água. Isto os muçulmanos chamam de compreensão, aparentemente. Tal compreensão é bem evidenciada pelo presidente Ahmadinejad, que afirma que conter o Estado judeu é um "princípio humanitário", e pergunta: "Se o Holocausto, como eles dizem, é verdade, por que não oferecem provas?"

Ora, este é o mesmo presidente que persegue e executa homossexuais, e condena adúlteros ao apedrejamento, amigo de Luiz Inácio. Podem pensar: mas o Irã e Paquistão estão, de fato, cumprindo os mandamentos de seu Livro Sagrado? Não tenham dúvida! Quanto ao relacionamento com judeus e cristãos, que no texto apresentado, é retratado como respeitoso e privado de desarmonia, lê-se na Sura 5: 51: "Ó fiéis, não tomeis por confidentes os judeus nem os cristãos; que sejam confidentes entre si. Porém, quem dentre vós os tomar por confidentes, certamente será um deles; e Deus não encaminha os iníquos". Ou seja, é proibida a confidência e acusado de iníquo o que não obedece a ordem.

No vídeo "Kill the Jews" (mate os judeus), uma criança com aparentes dez anos de idade diz que "o julgamento final não acontecerá até que os muçulmanos combatam os judeus. E os muçulmanos os matarão, e os judeus se esconderão atrás de pedras e árvores, e as pedras e árvores dirão: 'ó muçulmano, ó servo de Allah, há um judeu atrás de mim, venha e mate-o". Várias crianças repetindo tais barbaridades... é chocante!


Quanto ao tratamento com judeus, cristãos e pagamento de tributo ao Estado, diz a Sura 9: 29: "Combatei aqueles que não creem em Deus e no Dia do Juízo Final, nem abstêm do que Deus e Seu Mensageiro proibiram, e nem professam a verdadeira religião daqueles que receberam o Livro, até que, submissos, paguem o Jizya [imposto]". Quanto aos ateus, também são intrigantes as recomendações: "Quando encontrar os descrentes na Jihad, corte suas cabeças e, quando você os derrubar, amarre seus cativos firmemente" (Sura 47: 4); e "Logo infundirei o terror nos corações dos incrédulos; decapitai-os e decepai-lhes os dedos!" (Sura 8: 12). 

Não se iludam, as instruções do profeta são todas neste nível de "compreensão", "carinho" e "afeto". A Jihad é uma obrigação:  "Está-vos prescrita a luta [Jihad: pela causa de Deus], embora o repudieis. É possível que repudieis algo que seja um bem para vós e, quiçá, gosteis de algo que vos seja prejudicial; todavia, Deus sabe todo o bem que fizerdes, Deus dele tomará consciência" (Sura 2: 216). A imposição do Islã por combate, seja aos cristãos, judeus ou descrentes é clara na Sura 8: 39: "Combatei-os até terminar a intriga, e prevalecer totalmente a religião de Deus". Obviamente, a "religião de Deus" refere-se ao Islamismo, e a sugestão de combate é clara.

Somando as palavras de Maomé às evidências do que é praticado em solo muçulmano, que é hoje como foi no passado, não fica dúvidas de que o Islã deve ser imposto pela espada e mantido pela força: em combate direto com todos os potenciais inimigos e oprimindo completamente o povo através do Estado. Espada, ogiva nuclear, homens-bomba, 9/11, negação do holocausto, tentativa de destruir Israel, perseguição a homossexuais e execução por "crimes" banais: não são coincidências! É assim que o Islã funciona, pois é assim que o profeta recomenda. Não é a toa que os direitos humanos são tão desprezados em países islâmicos.

Em seu livro The Politically Incorrect Guide to Islam (and the Crusades), Robert Spencer aborda o mito de que o cristianismo e o islamismo se espalham da mesma maneira. Diz ele: "É verdadeiro que nenhum grupo, religioso ou não religioso, tenha monopólio sobre maldades ou virtudes, mas daí não se conclui que todas as tradições religiosas são iguais, seja em natureza de ensinamentos, seja na capacidade desses ensinamentos inspirarem violência. Por volta dos seus três primeiros séculos, o cristianismo foi proscrito e sujeito à perseguições esporádicas. Não apenas a religião não foi espalhada pela violência, mas a lista de mártires são cheias de nomes de pessoas sujeitas à violência porque se tornaram cristãs. Em contraste, no tempo da morte de Maomé, os muçulmanos não enfrentaram oposição organizada ou contínua, e ainda assim continuaram pegando em suas espadas pela sua fé".

A discussão da interpretação do Corão é longa, no entanto, a história de Maomé, independente de seus escritos, é fundamental e reveladora. Se a religião é pacífica e benevolente, podemos encontrar em Maomé a personificação de suas próprias palavras, como percebemos com Jesus? Foi Maomé o bom exemplo que todo muçulmano deve seguir, ou teria sido ele, de fato, um verdadeiro saqueador que crescia pela espada?

A primeira coisa que devemos fazer, é olhar para o mundo tal como o conhecemos hoje. Responda a seguinte questão: você preferiria viver em um país cristão, democrático, ou em um país muçulmano, autoritário? O que vemos no Ocidente é uma guerra contra a "intolerância" do cristianismo contra os gays, contra os ateus, etc., mas ainda nos casos que a intolerância existe, é diferente da intolerância islâmica. No Brasil, os políticos e militantes da causa homossexual afirmam que há perseguição contra homossexuais no país, porque em 2009 foram registrados 195 mortes por motivação homofóbica, segundo o Relatório Anual de Assassinato de Homossexuais. O Grupo Gay da Bahia afirma que "nosso país continua sendo o campeão mundial de homicídios contra LGBT". De acordo com o site, de "1980 a 2009 foram documentados 3.196 assassinatos de gays, travestis e lésbicas no Brasil, concentrando-se 18% na década de 80, 45% nos anos 90 e 37% (1.366 casos) a partir de 2000".

Mas o que o site escondeu? Vejamos: segundo o IBGE, "entre 1980 e 2000, no Brasil, foram vítimas de homicídios 598.367 pessoas; dois terços delas (369.101) na década de 1990", ou seja, o total de homossexuais mortos em vinte anos equivale a 0,53% do total de mortes por homicídio no mesmo período. Hoje, a média anual de homicídios no Brasil é de 50.000, e com 192 homossexuais mortos, temos que, no ano de 2009, essas mortes equivalem a aproximadamente a 0,38% do total. Mas ainda fica pior, pois existe a porcentagem alta de homossexuais mortos por homossexuais, mortos por envolvimento com tráfico (ambiente de risco), e por roubos ou latrocínio (comuns a toda população); uma análise mais detalhada pode ser encontrada no site Quebrando o Encanto do Neo-Ateísmo: A Farsa do "Homocausto" na Prova do ENEM e MEC e a Doutrinação Escolar.

Resumindo, a intolerância de que acusam os brasileiros, motivados pela Igreja, é completamente falsa e fácil de desmentir. Os grupos homossexuais se mostram tão aflitos pelos seus semelhantes brasileiros, mas o curioso é que não manifestam semelhante aflição - nem mesmo se importam, na verdade - pelos homossexuais do Irã. Enquanto nenhum homossexual é executado pelo Estado no Brasil - ser gay não é crime no nosso país, não temos pena de morte, etc. -, no Irã, não só são executados homossexuais simplesmente por serem homossexuais, como os números de execuções supera o número de assassinatos contra homossexuais no Brasil em duas décadas de maneira absurda.

Em trinta anos, foram executados 4.000 homossexuais no Irã, média de aproximadamente 133 por ano. Nesse espaço de tempo, temos uma média populacional de cerca de 65 milhões de habitantes, ou seja, a média de gays executados seria proporcional a aproximadamente 392 por ano no Brasil; mais de 100% a mais que os casos já registrados aqui, mesmo em um intervalo maior de tempo (uma década a mais). Ainda deve-se acrescentar o número de homossexuais assassinados por outros civis, algo que acontece, naturalmente, em qualquer país, assim como são assassinados os héteros, também. Temos um esboço de um quadro muito mais absurdo que o pintado pelos brasileiros, e, consequentemente, os gritos contra o Irã deveriam ser muito mais fortes. Um país com muito menos da metade da população brasileira comete muito mais que o dobro de homicídios contra homossexuais - só as execuções já superam o dobro do número brasileiro, portanto, não se pode conceder ao Brasil o título de campeão de homicídios contra LGBT.

Arsham Parsi fugiu do Irã em 2005, e relata que "para conseguir viver e até mesmo sobreviver, os homossexuais iranianos precisam deixar o país ou, na melhor das hipóteses, viver escondidos [...] para escapar de surras, prisões e até mesmo da morte". (http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL109937-5602,00-COM+MEDO+DE+MORRER+HOMOSSEXUAIS+FOGEM+DO+IRA.html). Quando, então, um brasileiro homossexual reclamar da "intolerância tipicamente cristã" brasileira, junte um dinheiro e o ofereça uma passagem para o país de Ahmadinejad, onde a tolerância é tão linda e os gays são tão amados.

O que é preciso entender, é que a religião islâmica pode não ser, por si só, perigosa, mas o Estado islâmico é, sem dúvida. Onde são minoria, não vemos muçulmanos violando os direitos humanos e agindo violentamente, mas onde governam e são maiores, é assim que são, e isto é ruim para muitos dos próprios muçulmanos, pois é claro que muitos deles também sofrem pelas próprias leis a que estão submetidos. Quanto à mansidão quando pequenos, o próprio Maomé foi assim: enquanto pequeno e sozinho, era manso; quando conseguiu aliados na sua causa, a Jihad, saqueou, assassinou, combateu e conquistou seus inimigos e outros que tiveram o azar de aparecer em seu caminho. É exatamente a partir de Maomé que se deve analisar as Cruzadas.

Spencer argumenta que "Maomé já possuía experiência como combatente antes de assumir seu papél como profeta. Ele havia participado de duas guerras locais entre sua tribo Quraysh e seus rivais vizinhos Banu Hawazin. Mas seu papel como soldado-profeta viria depois. Após receber as revelações de Allah através do anjo Gabriel em 610, ele começou apenas pregando à sua tribo o culto de Um Deus e sua própria posição como profeta. Mas ele não foi bem recebido por seus companheiros Quraysh da Meca, que rejeitaram com desdém seu chamado profético e se recusaram a desistir de seus deuses. A frustração e ódio de Maomé se tornaram evidentes. Quando mesmo seu tio, Abu Lahab, rejeitou sua mensagem, Maomé o amaldiçoou e a sua mulher, em linguagen violenta que foi preservada no Corão, o Livro Sagrado do Islã: 'Que pereçam as mãos de Abu Lahab! Que ele mesmo pereça! Em nada deve sua saúde e ganhos auxiliá-lo. Ele deve ser queimado em chamas de fogo, e sua mulher, queimada com lenha, deve ter uma corda de fibra em volta de seu pescoço!' (Sura 111: 1-5)".

Não é necessário ouvir um cristão ou judeu falando sobre o islamismo para causar medo em qualquer pessoa que pertence ao Ocidente. Neste vídeo (http://www.youtube.com/watch?v=Wp3Eam5FX58), o muçulmano ensina como o homem deve bater na esposa. É impressionante: existem, na verdade, vários tutoriais explicando como a mulher deve ser castigada pelo marido. Busque "how to beat you wife" no Youtube e confira alguns dos resultados. Os ensinamentos de Maomé, como vai ficando evidente, dificilmente serão aceitos, por qualquer homem racional, como divinamente inspirados. Spencer explica que Maomé, ao escrever o livro, buscava justificar todos os seus atos, ou seja, tudo o que ele pretendia fazer - bem ou mal -, justificava como ordem divina. Não é de se espantar que as palavras lutar e matar apareçam no Corão com mais freqüência do que as palavras oração e amor.

O livro The Truth About Muhammad, de Spencer resultou em outro livro: The Lies About Muhammad, e muitas campanhas tem sido promovidas no Ocidente afirmando que "O Islã é Paz". Antes que eu pudesse considerar tal afirmação, eu perguntaria a este autor e a estes que marcham sob este banner: quantos livros estão sendo publicados em países islâmicos sobre as "Mentiras sobre Jesus" que tanto são contadas pelos islâmicos?

Ou quantos cristãos estão divulgando a mensagem de Cristo e distribuindo cartazes que defendam o cristianismo em solo muçulmano? A resposta, obviamente, seria o silêncio. Como o próprio autor do texto que citei anteriormente reconhece, é proibido professar outras religiões no Estado islâmico. Nem mesmo panfletos para serem distribuídos entre os próprios cristãos são permitidos. Soma-se isso ao que já lemos do profeta, aos ensinamentos dirigidos à crianças de dez anos, instruções de como bater na própria esposa e a execução de homossexuais - dentre várias outras coisas -, e o que temos é a "religião de paz", certo?

Eu não duvido que Spencer esteja errado sobre muitas de suas afirmações sobre Maomé, mas a injustiça deste cenário é evidente: aqui os muçulmanos estão livres para se defenderem dos erros cometidos contra eles, mas os cristãos não tem liberdade nenhuma para se defenderem no islã. Enquanto os muçulmanos escrevem livros para defenderem sua fé, judeus e cristãos pagam para terem o direito de viverem no Estado islâmico. Os judeus, hoje em tão pequeno número, são, com certeza, os que mais sofrem. Israel é, hoje, odiado pelo mundo todo. A mídia não poupa ofensas ao tratar do país mais caluniado dos últimos tempos, mas quando falamos de países islâmicos, somos todos bondosos e compreensivos. Não nos ofende ver nosso presidente abraçando Ahmadinejad, mas nos ofende que Israel se defenda das armadilhas que armam contra seu povo, como foi possível notar no caso do Mavi Marmara, em que houve grande repercussão o ataque ao navio "humanitário", mas nada se noticiou quando foi desmascarada a armadilha (http://www.midiasemmascara.org/artigos/internacional/oriente-medio/11122-flotilha-humanitaria.html).

Eu não me preocupo com a refutação dirigida a Spencer. O que alguns poucos jornais noticiam hoje, o que as câmeras já gravaram e o que os próprios islâmicos confirmam é que o islã, de pacífico nada tem. O que as câmeras não puderam registrar séculos atrás, os historiadores podem confirmar. O terror que os islã pratica hoje é o mesmo que motivou a Primeira Cruzada em 1096. À todos que pensavam que as Cruzadas foram investidas católicas a fim de conquistar e converter povos não-cristãos - os primeiros sinais de imperialismo, como dizem -, saibam que as Cruzadas se caracterizaram, antes de mais nada, como ato legítimo de defesa.

Como sabemos, as Cruzadas e a Inquisição correspondem às duas séries de episódios que definem a "história sangrenta" do cristianismo. Outros eventos são comumente citados, como a chegada dos brancos ao novo mundo, mas estes dois são, sem dúvidas, os protagonistas. Como foi demonstrado em texto anterior, a Santa Inquisição não foi a máquina de matar que retratam os livros de história, e quando condenou alguém à morte, estava condenando os próprios cristãos. Portanto, é bom que as Cruzadas apresentem números assombrosos, seja injustificável, digna de nossa repulsa e desprezo, não é mesmo?

Vejamos o que algumas autoridades no assunto, como Steven Runciman, Robert C. Davis, M.A. Khan, Rodney Stark, Thomas E. Woods, Raphael Moore e Jonathan Riley-Smith têm a dizer. Eu acredito que a confiabilidade da informação que prestamos está intimamente ligada às referências que oferecemos. Escrever, acusar, afirmar e não evidenciar nossos pontos é algo que só os muito desonestos são capazes de fazer. Como sabemos, estes muito desonestos existem aos montes, e é justamente por isso que pesquisas sérias devem ser realizadas e evidências acuradas devem ser oferecidas, para que a razão de quem lê toque sua consciência. Dizer que o islã não se espalhou pela espada e que é uma religião de paz, é tão justo quanto dizer que o holocausto é uma mentira. O que será apresentado aqui pode surpreender.

Não existe "amai a vossos inimigos, fazei bem aos que vos têm ódio e orai pelos que vos perseguem e caluniam" vindo de Maomé. Na verdade, o profeta recomenda o combate e a guerra em diversas situações, como já foi apresentado anteriormente. Os cristãos, budistas, hindus, judeus, descrentes, etc. devem ser eliminados. No vídeo ao lado, líderes islâmicos anseiam exterminar os judeus, os chamam de inimigos de Allah e afirmam que o que Hitler fez contra os judeus foi um castigo merecido.


Bill Warner, diretor do Centro para o Estudo do Islã Político (CSPI), revela que "em Bukhari [o Hadith: tradições sobre Maomé], 97% das referências à jihad são sobre guerra e 3% sobre luta interior". Isso depõe em favor de uma doutrina pacífica? Ele mesmo afirmou: "Eu sou o profeta que ri enquanto mato meus inimigos". Warner ainda acrescenta que "pelo menos 75% da Sira (vida de Maomé) é sobre a jihad. Cerca de 67% do Corão escrito em Meca é sobre os infiéis ou política. Do Corão de Medina, 51% é dedicado aos infiéis. Cerca de 20% do Hadith de Bukhari é sobre a jihad e política. Religião é a parte menor dos textos islâmicos fundamentais".

E Conclui: "Há 146 referências ao Inferno no Corão. Só 6% daqueles que estão no Inferno estão lá por faltas morais - assassinato, roubo, etc. Os outro 94% das razões para estar no Inferno são pelo pecado intelectual de discordar de Maomé, um crime político. Logo, o Inferno Islâmico é uma prisão política para aqueles que falam contra o Islã. Maomé pregou sua religião por 13 anos e amealhou apenas 150 seguidores. Mas quando ele se voltou para a política e a guerra, em um período de 10 anos ele se tornou o primeiro governante de toda a Arábia, com uma média de um evento de violência a cada sete semanas, durante 9 anos. Seu sucesso não veio como líder religioso, mas como líder político".

O legado de Maomé dá início ao que resultaria nas Cruzadas. Thomas Woods comenta: "Mesmo a Primeira Cruzada não foi o verdadeiro começo da história. O verdadeiro começo veio no século que seguiu a morte de Maomé em 632. Durante aqueles incríveis cem anos, os muçulmanos espalharam sua religião pela força por toda a Arábia, e no Oriente Médio moderno, incluindo o Irã, Iraque, Líbano, Palestina e Síria, bem como no Egito, África do Norte e Espanha. É facilmente esquecido que alguns desses territórios eram fortemente cristãos quando os muçulmanos os tomaram. Ninguém, hoje, pensa na Síria e Egito como centros cristãos, mas no Século VII eles certamente eram. A antiga cidade de Antioquia tinha sido o lar de uma escola do pensamento Cristão atrás apenas de Alexandria, e o Egito havia sido o berço do monasticismo Cristão".

No Século XI, com a expansão islâmica chegando ao Império Bizantino, chegamos aos eventos fundamentais que levaram à Primeira Cruzada. Segundo Steven Runciman: "Em 1059, tropas turcas avançaram pela primeira vez rumo ao coração do território imperial, à cidade de Sebastea. Tughril Bey morreu em 1063. Ele mesmo não teve muito interesse na sua fronteira norte-ocidental. Mas seu sobrinho e sucessor, Alp Arslan, nervoso com a possível aliança entre os Bizantinos e os Fatímidas , procurou se proteger do primeiro conquistando a Armenia antes de prosseguir seu principal objetivo contra o segundo. Invasões ao Império se intensificaram. Em 1064, a velha capital da Armenia, Ani, foi destruída; e o príncipe de Kars, o último governador armênio independente, entregou alegremente suas terras ao Imperador em troca de imóveis nos Montes Taurus. [...] De 1065 em diante a grande fortaleza fronteiriça de Edessa fora atacada anualmente; mas os turcos ainda eram inexperientes no campo de guerra. Em 1066 ocuparam as passagens do Montes Armanus, e na primavera seguinte saquearam a metrópole da Capadócia, Cesareia. No inverno, os exércitos Bizantinos foram derrotados na Malatya e Sebastea. Essa vitória deu aos Turcos controle completo da Armenia. Nos anos seguintes eles invadiram mais para dentro do Império, para Neocaesarea e Amarium em 1068, para Iconium em 1069, e para Chonae em 1070, perto da costa do Egeu".

Diante dessas invasões sucessivas, "o governo imperial foi forçado a agir", completa Runciman. A política de redução das forças armadas de Constantino X, morto em 1067, era a grande responsável pela situação. Em 1068 a imperatriz regente, Eudóxia, casou-se com o comandante-em-chefe Romano IV, que percebeu que a segurança do Império dependia da retomada de Armenia. Porém, o exército Bizantino não era mais a grande força que fora cinquenta anos antes. Ramano formou um exército de aproximadamente 100 mil homens: poucos eram soldados profissionais, e nenhum estava bem equipado. Com seu grande, mas inseguro exército, partiu na primavera de 1071 para reconquistar a Armenia. Quando partia da capital, notícias chegavam pela Itália de que Bari, a última posse bizantina na península, fora tomada pelos Normandos. Romano pretendia capturar e cercar com soldados a fortaleza armênica, antes que o exército Turco chegasse pelo sul.

Alp Arslan estava na Síria quando ouviu sobre o avanço Bizantino. Ciente do quão vital seria o desafio, apressou rumo ao norte para enfrentar o Imperador. Romano entrou na Armenia pela ramificação sul do Eufrates superior. Próximo ao Manzikert, ele dividiu suas forças. Ele mesmo foi ao Manzikert, enquanto mandou seus Francos e Cumanos para proteger a fortaleza de Akhlat, às margens do Lago Van. No Manzikert, recebeu notícias de que Arslan se aproximava; e ele dirigiu-se a sudoeste para reunir o exército antes que os Turcos chegassem nele. Desatento quanto ao primeiro princípio das táticas Bizantinas, se esqueceu de enviar observadores. Na sexta-feira, 19 de Agosto, enquanto se deitava em um vale no caminho de Akhlat esperava seus mercenários, Alp Arslan veio sobre ele. Seus mercenários nunca vieram em seu resgate. Romano lutou bravamente; mas Andronico Ducas, vendo que sua causa era perdida e prevendo que o próximo ato do drama aconteceria em Constantinopla, tirou as tropas sob seu comando para longe do campo de batalha e marchou para oeste, deixando o Imperador sob seu destino. Ao anoitecer o exército Bizantino fora destruído e Romano ferido e feito prisioneiro. (Steven Runciman, A History of the Crusades: The First Crusade and the Foundation of the Kingdom of Jerusalem, pág. 60-3).

Runciman diz que "a Batalha de Manzikert foi o desastre mais decisivo da história Bizantina". Woods comenta que, "alarmado, Aleixo I Comneno emitiu um apelo ao Papa em Roma, de quem o mundo Oriental estava distante desde o Grande Cisma de 1054 [separação entre a Igreja de Roma e de Constantinopla]. Aquele Papa, Gregório VII, por mais que quisesse ajudar, acabara com outros assuntos pra resolver. Foi Urbano II que atendeu ao chamado para a cruzada em 1095". De volta a Alp Arslan, seu objetivo estava completo: estava seguro e havia removido o perigo da aliança Fatímida-Bizantina. Morreu em 1072. Em 1073, os Turcos começaram as invasões na Ásia Menor.

De acordo com Jonathan Riley-Smith, "Aleixo I [...] pedira ajuda contra os Turcos, cujos avanços através da Ásia Menor os deixaram a pouca distância de Constantinopla. Esse apelo desencadeou os eventos que levaram à Primeira Cruzada". Todas essas conquistas islâmicas sobre os cristãos acarretavam graves consequências aos conquistados: o verdadeiro cristão não abandonaria sua fé em Cristo por convicção em Maomé, e isto implicava que, ou se convertia contra a vontade, ou morria por sua fé. Muitos foram dominados e escravizados, e é certo que as possíveis conversões se dariam motivadas por terror. Já aí se notava o tratamento que o muçulmano dirigia aos que não compartilhavam sua fé. A escravização de cristãos - não foi a única - que aí já se fazia presente, perdurou até alguns séculos atrás. Robert C. Davis, em seu livro Christian Slaves, Muslim Masters (Escravos Cristãos, Mestres Muçulmanos), faz uma análise histórica e um levantamento de dados precisos sobre como os cristãos - homens, mulheres e mesmo crianças - eram escravizados pelos islâmicos. Cada década do período analisado - 1500 a 1800 - revela milhares de tragédias causadas pela Jihad e expansão do islã.

O cenário que se montava exigia uma intervenção do Ocidente: a Primeira Cruzada fora completamente necessária. A justiça precisava daqueles que por ela prezavam; o que se trata hoje como violência injustificável e sangue derramado por ambição política era, na verdade, o início de um legado heroico contra os verdadeiros sedentos por sangue. É possível que pensem: "Talvez a expansão islâmica não tenha sido tão cruel assim". Mas garanto que foi, e não é só dos cristãos que vem a confirmação, é do mundo todo. As estatísticas são tão assustadores que mais parecem invenção de gente louca. No entanto, é a conclusão formada pelas evidências que o politicamente correto não permite propagar.

Thomas Sowell, em seu livro Race and Culture, estima que os muçulmanos escravizaram e exportaram o singelo número de 29.000.000 negros, desde seu surgimento (pág. 188). Temos, então, uma média de mais de 2.000.000 de negros escravizados a cada século. Exagero? De acordo com David. B. Barret, o número de cristãos martirizados por muçulmanos foi de 9.000.000 (World Christian Trends, pág. 230); média de mais de meio milhão a cada século.


E quanto aos hindus? Segundo Koenraad Elst, a população da Índia caiu pela metade em relação à Índia Antiga, devido a Jihad. Estima-se que 80.000.000 de indianos tenham perecido sob ataques muçulmanos (Negationism in India, pág. 34). O historiador Will Durant afirma que "a conquista islâmica da Índia é provavelmente o episódio mais sangrento da história". Também foram mortos 10.000.000 de budistas. Por quê? Na Jihad, apenas os judeus e cristãos podem sobreviver como dhimmis (servos do Islam, pagando impostos); qualquer outro grupo deveria se converter ou seria morto. Por isso a destruição tão marcante da Índia com as conquistas islâmicas.

Esses números são difíceis de engolir; difíceis de acreditar, mas são a triste realidade (aproximada). Lembremos que, em média, o islamismo matou menos que o comunismo: 270 milhões em quatorze séculos pelo islã contra 100 milhões em um século pelos comunistas. Quando um muçulmano ousar dizer que sua religião nunca se espalhou pela espada, sinta-se a vontade para gargalhar, apesar de que seja muito triste se dar conta de números tão assombrosos. Fica menos difícil de entender porque afirmam, então, que o que Hitler fez com os judeus foi pouco perto do que eles farão com as próprias mãos, como dito no vídeo "Muslims hate jews". Eu não estou inventando esses números, e faço questão de compartilhar de onde eles vieram, a fim de que se possa verificá-los. Em minha pesquisa sobre este tópico, fiquei chocado ao descobrir alguns números e algumas histórias, e confesso que ainda estou.

Listo aqui alguns vídeos e imagens fortes, para que confiram a crueldade que ainda hoje é tão marcante, ao contrário do que pregam alguns muçulmanos [não vejam/assistam se forem frágeis a cenas de dor]:

Bispo Católico esfaqueado até a morte na Turquia
Três estudantes cristãs de doze anos decapitadas
12 cristãos mortos, 500 escravizados
Cristãos decapitados na Somália
Cristãos massacrados na Nigéria
Cristão esfaqueado até a morte
Cristãos e Judeus perseguidos
Três jovens queimados vivos

Mais casos estão listados nas referências e recomendações finais. Em todos esses casos, o motivo do crime foi: ser cristão, ser judeu, não se converter ao islã e se converter ao cristianismo ou judaísmo. Não são casos aleatórios de pessoas que por acaso eram de outra religião e por acaso foram assassinadas. Não é como estar dando uma volta no Rio de Janeiro e ser assassinado por reagir a um assalto. Longe disso, é o caso de ser vitimado justamente por aquilo que você é, mas, supostamente, não deveria ser.

Depois de tudo isso, não é difícil compreender porque as Cruzadas aconteceram, mas aparentemente as pessoas não querem explicar esse por quê. Os muçulmanos, como no caso do autor do texto "Compreendendo a Realidade do Islam e dos muçulmanos", não estão preocupados em explicar a verdade, ou reconhecer como se deu a expansão do Islã pela Jihad. Eles não reconhecem o caráter defensivo das Cruzadas, e ainda acusam o cristianismo de ser a verdadeira religião da espada. Talvez tudo isso apresentado seja intrigada de um pobre cristão, e de judeus, e de hindus, e budistas, e etc. Talvez o islã seja a verdadeira vítima de uma cruel conspiração preocupada em mascarar a verdade e iludir as pessoas, não é mesmo?

Meu coração se parte por Maomé, que tão bom exemplo nos deu e hoje é tão caluniado. Como ousam?!
Thomas Woods explica que "os cristãos não se engajaram [nas Cruzadas] a converter muçulmanos à força - o que explicaria o motivo de, durante os anos que seguiram a Primeira Cruzada em que os cristãos ocuparam Jerusalem, os muçulmanos continuaram a grande maioria da população. Na verdade, se você perguntasse a um muçulmano no Século XVIII o que foram as Cruzadas, ele não faria ideia do que você estava falando. Da perspectiva muçulmana, as Cruzadas foram um pequeno caso que não valia nada".

O autor não nega o caráter violento das Cruzadas e reconhece que tragédias aconteceram dos dois lados, mas, como bem sabemos, assim são as guerras. Em ordem, desvendamos que as Cruzadas foram uma resposta ao expansionismo islâmico que começara quando estes invadiram o Império. Cristãos foram aniquilados e escravizados. Gregório VII, já em 1071 foi chamado por socorro.

Foi apenas em 1096 que o socorro chegou, quando Urbano II atendeu ao chamado. Como relata o historiador especialista nas Cruzadas, Riley-Smith, "Urbano convocara uma guerra de libertação, que seria travada por voluntários que prometeram lutar como um ato de penitência". A prova de que as Cruzadas visavam apenas libertar os irmãos cristãos, é evidenciada pelo fato de que, como ressalta Woods, "em nenhum momento, as Cruzadas chegaram a algum lugar próximo da Arábia, o coração do Islã". Os cristãos não estavam tentando conquistar, estavam - como já está claro - tentando defender.

Eu não imaginava que as Cruzadas fossem um tema tão interessante e que desperta tanto desejo de conhecimento. As centenas de páginas que me dispus a ler há algumas semanas com certeza não foram tempo perdido. Meu objetivo era fornecer detalhes e esclarecer a realidade que é tão distorcida, mas mal sabia que era tão rica essa história, e tanto há para descobrir. Minha conclusão inevitável é que os cristãos, através das Cruzadas, salvaram seus irmãos de um terror que, infelizmente, ainda está vivo no mundo. Mais do que isso, asseguraram o futuro de toda a nossa civilização. As tragédias na Índia, no Paquistão e Nigéria, por exemplo, continuam frequentes, e ao mesmo tempo que parte o coração descobrir tantas delas, conforta saber que, por enquanto ainda estamos seguros.

Entender o islã e compará-lo ao que temos no Ocidente é fundamental para o nosso futuro. O que vemos hoje são grupos ateístas, homossexuais, feministas, etc., acusando o cristianismo de crimes inadmissíveis, história suja de sangue e uma doutrina que deve ser eliminada. O que as evidências sugerem é que, com as Cruzadas, como também com a Inquisição, os católicos salvaram nossa civilização Ocidental. As pessoas olham para as Américas e veem liberdade, oportunidade e sorrisos, apesar de ainda estarmos longe da perfeição. Nosso país, os Estados Unidos e outros, são o reflexo do que o cristianismo nos proporcionou: democracia. O islã está crescendo, e os números sugerem que eles serão a cultura que resistirá e predominará no mundo. O mundo está contra o cristianismo, porque em países cristãos todos tem garantido o direito de se opor. Esses que tentam derrubar o legado de Cristo a todo custo não sabem que, se o cristianismo cair, eles também cairão.

O futuro do mundo, aparentemente, é o islã. Ninguém se levanta contra os muçulmanos, hora por medo; hora por covardia, e diante disto o cristianismo talvez não resista. Cada gay que se enfureceu contra a "intolerância" da Igreja, cada mulher que a acusou de preconceituosa e cada ateu que a acusou de assassina nos levarão à vitória do islã como fenômeno cultural, e consequentemente à sua consolidação.


Todos eles deveriam saber que, quando isto acontecer, não mais reclamarão de intolerância e preconceito, ou qualquer coisa que lhes permita sua imaginação. Não há espaço para incrédulos, homossexuais ou mulheres que se exaltam no mundo que segue o Corão. Eles não serão isso ou aquilo, eles simplesmente, mortos, nada serão.

Há quem tente abrir os olhos das pessoas no mundo todo; mas é certo que muitos não querem enxergar. As Cruzadas, todas juntas, mataram menos de 200.000 pessoas, e isso, senhoras e senhores, equivale ao que a Jihad matou em cada único ano de sua existência. Quem irá pensar nas Cruzadas como ato legítimo de defesa? E quem vai reconhecer sua importância na libertação das almas desamparadas de seu tempo? Alguém espera que as apostilas dos colégios atentem para suas mentiras? Certo estou de que nem precisaria propor tais questões. Me conforta saber que antes que o Islã domine este mundo, Deus terá levado daqui os Seus. Àqueles que não tem a mesma esperança, eu pergunto: que futuro escolherão? O mundo em que ensina-se a amar os inimigos, ou o mundo em que o inimigo agoniza com a espada em seu coração? A escolha é de vocês!


Referências e recomendações:
  1. Resposta às invasões muçulmanas
  2. The Legacy of Jihad: Islamic Holy War and the Fate of Non-Muslims
  3. Como funciona o Islã
  4. Maomé
  5. Myths of Islam
  6. Muhammad quotes
  7. Cristã condenada a enforcamento no Paquistão
  8. Ahmadinejad nega holocausto
  9. Com medo de morrer, homossexuais fogem do Irã
  10. Irã executa homossexuais
  11. 4000 gay men and lesbians executed in Iran since 1979
  12. Repúdio a Ahmadinejad une evangélicos, judeus e homossexuais
  13. A natureza violenta do islamismo
  14. IBGE: homicídios no Brasil
  15. World Bank: Iranian population
  16. Como vivem os cristãos sob o regime islâmico
  17. Irã: ódio aos judeus
  18. O mundo contra Israel
  19. The Great Schism of 1054
  20. Race and Culture
  21. Islamic conquest of India
  22. As Cruzadas
  23. A era das Cruzadas
  24. The truth about the Crusades
  25. The Crusades: Cause and Purpose
  26. As Cruzadas, a Jihad e certos professores
  27. The Crusades: seeking the truth
  28. A verdade sobre as Cruzadas
  29. Ato de defesa
  30. São Francisco
  31. The Politically Incorrect Guide to Islam (and the Crusades)
  32. Religion of Peace? Why Christianity Is and Islam Isn't
  33. God's Battalions: The Case for the Crusades
  34. Islamic Jihad: A Legacy of Forced Conversion, Imperialism, and Slavery
  35. Christian Slaves, Muslim Masters
  36. The Crusades: A History
  37. A History of the Crusades: The First Crusade and the Foundation of the Kingdom of Jerusalem
  38. Mártires cristãos
  39. Como a Igreja Católica Construiu a Civilização Ocidental
  40. What's So Great About Christianity
Notas:
  1. Para a melhor compreensão do Islã, recomendo as aulas do professor Luiz Gonzaga de Carvalho - Religiões do mundo -, que buscam explicar a religião como seus seguidores a entendem, e que me ajudaram a combater diversos preconceitos.
  2. Eu não sou a favor da interpretação pessoal de livros sagrados, seja da Bíblia, do Corão ou outro qualquer, e essa postagem apresenta versos do Corão sob a alta probabilidade de tê-los interpretado de forma equivocada ou inapropriada. Uma análise mais segura deve ocorrer à luz de outras fontes de informação.

8 de novembro de 2010

Grandes mitos sobre a Igreja Católica #1

Galileu Galilei
Nos dias de hoje, nem os católicos conseguem defender a Igreja; muitos se calam diante de qualquer questionamento. Seus escudos estão quebrados; suas espadas foram perdidas. É de partir o coração o estado em que se encontram muitos que vão à Igreja durante toda a vida, mas nem mesmo a conhecem.

E agora, diante desta situação, uma minoria de pessoas mal intencionadas consegue fazer os católicos se sentirem culpados por pertencer a uma Igreja "corrupta", "assassina" e "cruel". Nós vivemos em um país em que não se pode ousar dizer que o homossexualismo é pecado, mas podemos ofender a Igreja, chamar todos os padres de pedófilos e acusar o Papa dos mais variados crimes. Este é o Brasil de hoje: um reflexo do mundo que está enlouquecendo.

Não fico triste pelo que dizem e tenho pena dos ignorantes - que enchendo a boca com saliva venenosa para ofender a Igreja, provam ser brasileiros genuínos do tipo mais imbecil que só aqui se encontra. Tenho pena daqueles que nada sabem sobre a Igreja, nunca averiguaram os mitos tão contados sobre ela e ainda assim orgulham-se de atacá-la e desprezá-la da maneira mais arrogante possível.

Mas por que todo mundo acredita nos mitos contados? Sabem ao menos que são mitos? E por que alguém iria querer contá-los? Essas são questões que precisam ser respondidas, e é isto que será feito agora. Terra Plana, Santa Inquisição, Caso Galileu, Cruzadas, Venda de Indulgências ou o Silêncio de Pio XII: exemplos de bobagens sem fundamento que nunca deixarão de ser repetidas pelos inimigos da Igreja, ou até pelos seus próprios filhos.

1.1 - O mito da Terra Plana

De tão comum, esse mito, hoje, já está até sendo misturado com outros. Algumas pessoas chegam a dizer que o motivo da pena de Galileu, foi ele ter afirmado que a Terra era redonda, contrariando a Igreja, que pregava que esta era plana. Antes de mais nada, vamos, então, aos exemplos.

No Yahoo! Answers, é feita a pergunta: A Bíblia achava que a Terra era Plana?
A partir daí, as maiores bobagens são ditas. O usuário ASA SUL ® diz: "Durante muitos anos a ciência afirmou que a Terra era plana, e Galileu Galilei discordou e disse que a Terra era redonda. Por isso foi condenado à morte pela igreja católica". Além de demonstrar ignorância quanto ao caso da Terra plana, demonstra também ignorância quanto ao caso de Galileu, mas deste falo mais à diante. O usuário NELSON diz que "Galileu, Vespuci, Da vinci, [...] comprovaram que a Terra era redonda". E no vídeo "Crimes do Ateísmo", o usuário DavidWDRS diz que "Galileu foi morto e excumungado pela igreja, porque propos a teoria [de] que a Terra era redonda".

Acreditem: não é difícil encontrar exemplos em que a confusão é feita. Mas lembremos, por hora, que o caso Galileu é relacionado ao Heliocentrismo, que apareceu com Nicolau Copérnico, publicado em seu De revolutionibus orbium coelestium, em 1543. Então, deixando Galileu de lado, é necessário responder a pergunta: A Igreja Católica ensinava que a Terra era plana?

Conta-se que, bravo e destemido, Colombo dispôs-se a aventurar-se nos grandes mares e circular todo o globo terrestre, por isso sendo fortemente repreendido pela Igreja, que hesitou em apoiá-lo, alegando que ele cairia na borda da Terra, ou que dragões e outros monstros comeriam ele e sua tripulação vivos, já que havia um abismo em determinado ponto dos Oceanos. Mas seria isso verdade? A Igreja se opôs a Colombo baseado em argumentos tão infantis e anti-científicos?

Pelo contrário, era sabido que a Terra era um globo, e isto pode ser comprovado facilmente através das evidências históricas. Mais que isso, pode ser comprovado pela própria Bíblia: Salomão, por exemplo, se refere ao globo terrestre nos Provérbios e no Livro da Sabedoria. De qualquer forma, não é o relato bíblico que está sendo discutido, mas sim a hipótese de as pessoas terem acreditado na Terra plana e de a Igreja tê-la ensinado. Isso, com toda a certeza, nunca aconteceu.

Ninguém, na Idade Média, acreditava que a Terra era plana. Na verdade, algumas pessoas falavam sobre isso, ou mesmo acreditavam, mas eram grupos bem pequenos que não influenciaram o pensamento de ninguém. Os dois mais "populares" são tão populares que ninguém nunca ouviu falar deles: Lactantius, que viveu entre o Século III e IV; e Cosmas Indicopleustes, navegante do Século VI. Lactantius teve sua visão considerada herética pela Igreja; em seu trabalho, ele rejeitou todos os filósofos gregos e, consequentemente, a terra esférica - os gregos já até haviam medido a circunferência da Terra, muitos anos antes de Cristo. Cosmas também foi ignorado pela Igreja e, mais importante do que isso, seus escritos - em grego - foram traduzidos para o latim apenas em 1706, o que significa que sua obra, tal como a de Lactantius, além de ter sido rejeitada, nunca pôde influenciar ninguém, visto que não estava acessível aos leigos da época (Século VI), em que pouquíssimos do Ocidente entendiam grego, e não fora aceita entre os intelectuais. Seria impossível que a crença ganhasse força a partir deles.

O Globo na Idade Média (Clique para ampliar)
Então, se a Igreja rejeitou qualquer visão de Terra plana, como teria este tão famoso mito começado? Jeffrey Burton Russel, em seu livro Inventing the Flat Earth (Inventando a Terra Plana) oferece a resposta: Antoine-Jean Letronne e Washington Irving, interessados em retratar a Igreja como estúpida, inventaram o mito para que a credibilidade da Igreja em outros debates fosse abalada.

Outro historiador, Thomas Woods, exemplifica a intenção deles, quando diz: "Se podemos [os iluministas] retratar a Igreja como sendo tão ridícula, que, na verdade, costumava ensinar que a Terra era plana, então, nós podemos mostrar que Ela é um oponente absolutamente desprezível". E continua: "Eu tenho certeza que eles não tinham ideia da durabilidade desse mito; de que no Século XXI ainda o ensinariam [...]. Ele [o mito] simplesmente não desaparece. Mas por que não desaparece? Por que tem tanta durabilidade? A razão é que o mito alimenta o estereótipo iluminista: a Igreja Católica é estúpida, impede o progresso e nos força a acreditar em bobagens".

Widson Porto Reis exemplifica o que Letronne fez com a obra "Topografia Cristã", de Cosmas, quando atribuiu à ela uma importância que ela nunca teve: "Seria como se daqui a mil anos alguém encontrasse um obscuro trabalho científico questionando a evolução e afirmasse que os cientistas do século XXI não acreditavam na evolução". Sobre a definitiva propagação do mito, acrescenta ele: "O mito realmente ganhou a força que tem até hoje quando John Draper (1811-1882), um físico violentamente anti-católico, publicou em 1873 o livro A História do conflito entre a Ciência e a Religião utilizando o mito da Terra plana como exemplo de como as crenças religiosas eram estúpidas e atrasadas e necessariamente se opunham ao progresso da ciência", exatamente o que Woods retrata como a intenção de Letronne e Irving.

Por tudo isso, é absurdo afirmar que a Igreja ensinava que a Terra era plana, e que este foi o motivo que a levou a repreender a viagem de Colombo. Não há historiador sério que seja capaz de acreditar nesta bobagem, e até em obras muitíssimo antigas é possível notar que, durante toda a Idade Média, era aceita e difundida a ideia de que a Terra era esférica. Orlando Fedeli cita alguns exemplos, como a estátua de Carlos Magno, obra romântica do Século IX, em que o Imperador segura um globo que representa a Terra. Cita, também, o exemplo da Catedral de Notre-Dame - 1300 -, em que Nossa Senhora tem em seus braços o menino Jesus, que segura o globo da Terra entre seus dedos, como se brincasse com o nosso mundo. A escultura é inspirada em Provérbios 8: 30-31, que diz: "E cada dia eu me deleitava brincando continuamente diante d'Ele, brincando sobre o globo da Terra".

De fato, houve discussão entre Colombo e a Igreja (o debate de Salamanca), mas não porque a Terra era plana, e sim porque a Igreja afirmava que Colombo, em sua tentativa de chagar à Índia pelo Ocidente, estaria subestimando o tamanho do globo terrestre, e que provavelmente morreria de fome, pois navegaria e não chegaria a lugar algum. Pois a Igreja estava certíssima, e se Colombo não tivesse se deparado com o continente Americano, seria exatamente isto que aconteceria com ele e sua tripulação - Colombo considerava que Terra tinha apenas 20% do seu tamanho real.

Para quem duvida que os inimigos da Igreja fazem de tudo para vê-la em maus lençóis, está aí um bom exemplo de clara desonestidade que continua, ainda hoje, a ser professado em cada colégio, por cada professor desinformado ou mal intencionado, já retratando paras a crianças uma imagem negativa da Igreja, baseados em algo que ela nunca fez; baseados em uma mentira que pode ser facilmente desmascarada, mas que, como lembra Woods, "não foi desmascarada, porque serve a um propósito". De qualquer forma, seria ótimo se este mito fosse o único.

1.2 - As Inquisições

No caso da Terra plana, inventou-se algo que nunca aconteceu, mas todos nós sabemos que a Inquisição, de fato, existiu. Ninguém nega a Inquisição, mas mesmo sendo real, muitas são as distorções, omissões e desonestidades referentes a este episódio tão marcante. Talvez o pior deste episódio, é que os inimigos do cristianismo têm como aliados os protestantes: peritos em difamar a Igreja Católica. A difamação, como de praxe, não tem validade histórica, não tem boas referências e não pode ser confirmada; seu único motor é a sede de ofender a Igreja e fazê-la parecer vilã de todas as histórias.

Muitas vezes, os próprios católicos acabam concordando com as bobagens pregadas contra a Igreja. Eu mesmo já vi muitos dizendo coisas como: "Sou católico, mas a Igreja tem um passado negro""sou católico, mas não por causa da Igreja"; ou "a Igreja Católica não tem o direito de repreender o que há de errado no mundo, porque já errou mais do que todo o mundo junto". Este é o nível dos "católicos" brasileiros: aqueles que, conformados com toda lorota que ouvem, acabam prestando um desserviço à doutrina que afirmam seguir e respeitar. É aquele que Luciano Ayan define como cristão vira-lata.

Alguns ateístas e protestantes afirmam que, durante a Inquisição, milhões de pessoas foram mortas. E esse "alguns" não se refere a poucas pessoas; muito pelo contrário. Os que supõem números mais moderados também acabam cometendo erros. Este site (http://www.espada.eti.br/n1676.asp) afirma que a Inquisição foi responsável por mais de 75 milhões de mortes. Já o site Ateus do Brasil (http://ateusdobrasil.com.br/p/1995/) diz que foram 600 mil pessoas torturadas e queimadas durante a Idade das Trevas - vamos desconsiderar o fato de o autor do texto achar que Frei Betto é católico; o foco é a lorota do número de vítimas durante a dita "Idade das Trevas".

Estes números não são nada modestos: 75 milhões é um número de mortes maior que causado por Mao Tsé-Tung, o maior genocida da história da humanidade; 600 mil equivale a quase seis Fidéis Castro. Mas seriam estes números verdadeiros e confiáveis? A inquisição realmente matou milhões - ou centenas de milhares - de pessoas? Esqueçamos o que diz as apostilas de ensino médio, os neo-ateístas raivosos ou os protestantes ignorantes, e olhemos para o que os historiadores têm a dizer. Somente através da pesquisa profissional e dedicada que a verdade pode ser esclarecida; através de propaganda fundamentada no ódio nada confiável será alcançado.

João Bernardino Gonzaga, no livro A Inquisição em seu Mundo, introduz o estereótipo da Inquisição: "Nascida oficialmente no começo do século XIII e durando até o século XIX, a Inquisição dedicou-se, dizem eles, a semear o terror e a embrutecer os espíritos. Adotando como método de trabalho a pedagogia do medo, reinou, de modo implacável, para impor aos povos uma ordem, a sua ordem, que não admitia divergências, nem sequer hesitações. Ao mesmo tempo, pretende-se que o que havia por detrás dela, nos bastidores, era um clero depravado, ignorante e corrupto, em busca apenas do poder político e da riqueza material".

Qualquer pessoa que tenha ousado discutir o tema, seja com amigos - casualmente -, ou mesmo na Internet, sabe bem que em todo grupo, por menor que seja, há sempre um ou dois, com ferro na mão, prontos para dar cacetadas nas costas da Igreja usando como justificativa a Santa Inquisição. Ninguém se interessa em entender o contexto, ou se aprofundar no que é defendido pelos historiadores que investigaram o assunto; o único objetivo é justificar o ódio contra a Igreja, mostrando como ela cometeu crimes repugnantes - crimes que só homens sujos e desonestos seriam capazes de tolerar, ainda que sem nenhuma referência -, ou seja, uma tentativa de envergonhar todo filho da Igreja por ser católico e fazer parte de uma instituição tão "cruel e opressora".

Achismos, ódio e ignorância deixados de lado, vejamos o que foi a Inquisição, porque aconteceu, e quais foram seus resultados. Relata Gonzaga, sobre a origem da propaganda anti-católica: "A Inquisição se tornou [...] um arquétipo, um símbolo universalmente aceito de intolerância, prepotência, crueldade; e ela ficou sobretudo ligada, de modo indissolúvel, à Espanha [...]. A ofensiva principiou no século XVI, quando esse país se converteu na maior potência mundial [...]. Tal hegemonia despertou a cobiça dos protestantes, tendo à frente a Holanda, que ansiava por assenhorear-se do tráfico internacional. A propaganda desmoralizadora foi uma das grandes armas utilizadas: valendo-se da imprensa recém-inventada, os protestantes inundaram a Europa de livros e panfletos, todos insistindo em denegrir a imagem dos papas, da Igreja e dos católicos ibéricos".

Obviamente, os protestantes não eram os únicos. Continua o autor: "O combate foi engrossado pelos anglo-saxões [...]. A técnica utilizada para atacar o catolicismo foi sempre a mesma: o leitmotiv era a figura de uma Espanha dirigida pelo clero, por isso atrasada, obscurantista e, em consequência, reduzida afinal à pobreza. Para a campanha, com muito empenho sempre contribuíram também os judeus [...]. Esse clima [...] recebeu mais adiante o reforço do movimento iluminista do século XVIII, o "século das luzes". Tomados de feroz anticlericalismo, os enciclopedistas franceses, com Voltaire à frente, converteram a Inquisição na sua principal arma de combate à Igreja. Tratava-se, diziam, de instrumento de opressão contra as liberdades individuais, manejado por um clero fanático e corrupto, desejoso de manter o povo na ignorância e que se impôs pela tortura".

Mas mais importante que entender a origem das distorções, é entender o que era, de fato, a Inquisição. Recentemente, ouvi uma grande bobagem em um dos programas que parece ser um dos mais respeitados pelos ateístas: Atheist Experience. No episódio "Christians, read about the Inquisition!" (Cristãos, leiam sobre a Inquisição), um espectador chamado Chuck recomenda que os cristãos "leiam sobre a Inquisição: isso os explicará bastantes coisas sobre a religião". Por hora, ignoremos o fato de ele não ter seguido o próprio conselho, e notemos que ele diz que "o cristianismo nem mesmo existiria, hoje, se não fosse pela Inquisição".

Por que ele diz isso? É simples: na cabeça de muitos, além do caráter cruel da Inquisição, pensa-se também que ela era aplicada a qualquer ser humano que estivesse por perto, à toa, fazendo algo que desagradasse a Igreja. Por isso, o nobre Chuck diz, sobre o caráter da Inquisição: "Basicamente, se você não acreditasse em Deus, eles [os católicos] te enforcavam, te queimavam, ou - sabe? - te destruíam". Mas este não é, nem de perto, o caso. Como descreve Fedeli, "a Inquisição foi instituída para combater o catarismo". O catarismo era uma heresia considerada perigosa, e foi justamente pelo combate da heresia dentro da Igreja, que a Inquisição existiu. O que isto significa? Significa que os tribunais da Inquisição só poderiam julgar católicos hereges.

Não é o que dizem os livros "didáticos", não é o que nos contam, mas é o que era. É o que Chuck não sabe. Quando ele diz que o cristianismo não existiria, não fosse pela Inquisição, ele sugere que qualquer opositor do catolicismo seria assassinado, e que a doutrina cristã era forçada à toda população, como um requisito básico para sobrevivência, algo como: "Quem não for cristão será eliminado, a menos que se converta". Mas os tribunais não existiam para obrigar o cristianismo, e quem não fazia parte da Igreja nunca poderia ser, por ela, condenado. Como seria herege aquele que nem mesmo acredita em Deus? Aí mora o perigo da interpretação de tais tribunais: pensa-se que ateus, muçulmanos e judeus, por exemplo, poderiam ser julgados por heresia contra a Igreja Católica, mas é óbvio que isto era impossível. Lembremos, ora, de Galileu: foi justamente porque era católico, que a Igreja o condenou - mas, novamente, deixo este caso para depois.

Em adição à isto, o judeu George Sokolsky escreveu, em 1935, que "a tarefa da Inquisição não era perseguir judeus, mas limpar a Igreja de todo traço de heresia ou qualquer coisa não ortodoxa. A Inquisição não estava preocupada com os infiéis fora da Santa Igreja, mas com aqueles heréticos que estavam dentro dela". O especialista inglês em História do Judaísmo, Dr. Cecil Roth, declarou, em 1927: "A verdade é que os Papas e a Igreja Católica, desde os primeiros tempos da Santa Igreja, nunca foram responsáveis por perseguições físicas aos judeus, e entre todas as capitais do mundo, Roma é o único lugar isento de ter sido cenário para a tragédia judaica. E, por isso, nós judeus, deveríamos ter gratidão".

Portanto, pior do que as bobagens ditas por Chuck sobre Inquisição, é o fato de os apresentadores do programa concordarem com o que é dito, e ainda acrescentarem mais mentiras sobre o caso. Na verdade, penso eu, isto é bom: prova o quanto as referências ateístas são ignorantes sobre vários assuntos; muito ignorantes, mesmo. Jeff Dee afirma que "a Inquisição foi a época em que o cristianismo era como o Taliban é hoje", e isto, para mim, confirma a completa falta de entendimento do que foi a Inquisição, o que ela fez, com quem fez e porque fez. Mas é necessário advertir que é difícil encontrar um ateísta que conhece a Inquisição, ou se interessou em compreendê-la; eu mesmo nunca vi um.

Ainda sabendo que a Inquisição era destinada exclusivamente aos católicos - enquanto tribunal eclesiástico, já que havia também os tribunais civis, e estes não estavam submetidos à Igreja -, fato que possivelmente será negado quando apresentado, falta esclarecer uma coisa: foram, de fato, milhões de hereges mortos durante a famosa Idade das Trevas?

O historiador Agostino Borromeu, especialista no assunto, revela dados completamente contrários aos absurdos que se propaga por aí. Tão contrários que, sem dúvida, a primeira reação de quem lê, é de fortíssimo ceticismo. Queiram ou não, segue aqui o que várias autoridades no assunto têm a dizer.

Afirma Borromeu: "A Inquisição na Espanha que era dirigida pelos Reis - em referência ao tribunal mais conhecido - celebrou entre 1540 e 1700, 44.674 juízos. Os acusados condenados à morte foram 1,8% (804)". Rino Camillieri, autor do livro La Vera Storia dell Inquisizione, afirma que "na principal cidade medieval - centro da heresia cátara -, em um século, houve apenas 1% de sentenças à morte" (pág. 36). Referente às famosas "caçadas de bruxas", Borromeu diz que "dos 125.000 processos de sua história, a Inquisição espanhola condenou à morte 59 pessoas. Na Itália, foram 36, e em Portugal, 4". Ainda acrescenta que, "ao contrário do que se divulga, o número de pessoas condenadas a pena máxima era muito pequeno".

Sobre o caso das bruxas, muito, também, precisa ser dito. O historiador Gustav Henningsen diz: "O certo é que, ao contrário do que comumente se crê, as perseguições de bruxas não se deveram a iniciativa da Igreja, foram manifestação de uma crença popular, cuja bem documentada existência se remonta a mais remota antiguidade [...]. Não foi a Inquisição que iniciou a perseguição às bruxas, senão a justiça civil nos Alpes e na Croácia [...]. A inquisição podia haver causado um holocausto de bruxas nos países católicos do Mediterrâneo, mas a história demonstra algo muito diferente: a Inquisição foi, aqui, a salvação de milhares de pessoas acusadas de um crime impossível" - La inquisición y las brujas, pág. 568-94 (L'Inquisizione, Atti del Simposio internazionale).

Como vai ficando evidente, os especialistas demonstram, sem rodeios, que a maioria das afirmações feitas por leigos sobre a Inquisição, merece simplesmente ser ignoradas. É importante saber, também, que historiadores não-católicos, como o protestante Henry Charles Lea, defendem a Igreja neste ponto. Afirma ele que "a Igreja, combatendo os cátaros, salvou a humanidade". Isto por causa de algumas visões cátaras referentes à mulher e seu papel, que poderiam causar problemas à muita gente se propagadas.

Sobre os casos de tortura, diz Henry Kamen: "Em uma época em que o uso da tortura era geral nos tribunais penais europeus, a Inquisição espanhola seguiu uma política de benignidade e circunspeção que a deixa em lugar favorável se se compara com qualquer outra instituição. A tortura era empregada somente como último recurso e se aplicava em pouquíssimos casos". Fedeli acrescenta: "Foi a Igreja a primeira a não aceitar a confissão sob tortura como prova de culpa. Na Inquisição - ao contrário do que se fazia em todas as partes, a tortura só podia ser aplicada uma vez, sem derramamento de sangue, só com a aprovação do Bispo e com a assistência de um médico. Os papas sempre preveniram os inquisidores de que eles eram pastores, e não torturadores, nem carrascos. Nas prisões de todos os países, toda pena capital era precedida de torturas punitivas. Por isso os acusados preferiam ser julgados pela Inquisição, onde o tratamento era sempre muito menos cruel".

Kamen, então, mostra que "as cenas de sadismo que descrevem os escritores que se inspiraram no tema possuem pouca relação com a realidade", e Camillieri confirma: "O fato é que os inquisidores não acreditavam na eficácia da tortura [...], como meio de prova a tortura era pouco útil. Não só isso. A confissão obtida sob tortura devia ser confirmada posteriormente por escrito pelo imputado, sem tortura (somente assim as eventuais admissões de culpa podiam ser levadas a juízo)".

Diante de tudo isto apresentado, podemos concluir que a Inquisição católica não é o monstro retratado pelos inimigos da Igreja: foi restrita aos hereges, foi mais humana que os tribunais civis, condenou à morte um número proporcionalmente pequeno de pessoas e não perseguiu bruxas e descrentes, muito menos com a sede de sangue que retratam os leigos e desonestos interessados em retratar a Igreja como cruel e repressora.

Como bem lembra Dinesh D'Souza, considerando o tempo que durou a Inquisição, a média de mortes foi de 4 a 5 por ano - um número desprezível -, e diante deste dado histórico confirmado pelas maiores autoridades do assunto, é seguro dizer que a Inquisição, tal como é retratada, não passa de um mito. O Papa João Paulo II realmente se desculpou pelos erros cometidos pelos filhos da Igreja durante a Inquisição, mas não porque nada na Inquisição se justifica, e sim porque todo tribunal humano está sujeito a erros - a menos que eu esteja enganado e a justiça perfeita esteja sendo praticada nos tribunais do Século XXI. É este o caso?

1.3 - O caso Galileu

O caso Galileu é talvez o mais triste de todos, porque serve de justificativa para uma crença que, além de nunca ter sido verdade, é baseada exatamente no oposto da verdade: a crença de que a Igreja Católica é inimiga da Ciência e da razão. A Igreja que forneceu as bases para a revolução científica é, hoje, condenada por ter impedido o progresso neste campo. Desmitificar esta crença é trabalho aparentemente complicado, mas o certo é dizer que ninguém se interessa em fazê-lo. Thomas Woods, Edward Grant, A. C. Crombie, etc.: historiadores que mostraram que a Igreja não só incentivou a Ciência Moderna, como foi fundamental para que esta se tornasse o gigante que o mundo conheceu. As autoridades no assunto entendem que o título justo à Idade Média seria "Idade da Razão e do Conhecimento". A reação de quem lê tal "absurdo" talvez seja um riso de desdém, mas, novamente, não interessa a quem é sério o sentimento arrogante de quem bota o preconceito e o ódio acima da verdade.

O caso de Galileu Galilei, tão distorcido e confundido, como já foi mostrado, merece atenção especial, pois são tantas as mentiras e omissões feitas - não diferente dos outros dois mitos abordados -, que é necessário desmentir, de uma vez por todas, uma das histórias que tem justificado uma das maiores bobagens professadas contra a Igreja: a de que ela é inimiga do conhecimento.

Tudo começa com Nicolau Copérnico, o homem que propôs o modelo heliocêntrico. Copérnico foi um astrônomo polonês que acreditava, em geral, no que conhecemos por Sistema Ptolomaico. Ptolomeu foi o astrônomo grego que propôs que os planetas eram ordenados da seguinte maneira: a Terra no centro, e o Sol e os outros planetas orbitando a Terra. De acordo com o Sistema Ptolomaico, ou Sistema Ptolomaico-Aristotélico, os planetas orbitavam a Terra em círculos perfeitos, e a uma velocidade constante perfeita. O modelo também sugeria que os vários corpos celestes, incluindo os outros planetas e a Lua, eram esferas perfeitas.

Modelo Ptolomaico: Terra ao Centro; Sol no quarto anel
Copérnico sugeriu que algumas mudanças deviam ser feitas: pôr o Sol no centro e ter a Terra como um dos planetas que orbitam o Sol. O resto - esferas perfeitas, órbitas circulares perfeitas e uma velocidade constante - ele manteve. Isto ficou conhecido como Sistema Heliocêntrico. Ao contrário do que se pensa, a Igreja não considerava herética a defesa do modelo copernicano. Copérnico dedicou sua obra ao Papa Paulo III, que foi publicada a pedido de cardeais católicos, em 1543.

Em um artigo dos mais mentirosos que já encontrei na Internet, que declara a Bíblia como anti-científica (http://www.evo.bio.br/LAYOUT/BibleXCien.html), lê-se o seguinte: "De fato, a Bíblia não declara explicitamente que o Sol gire em torno da Terra, tal afirmação era feita principalmente por alguns filósofos gregos e alexandrinos, e sendo assim a Igreja Católica, influenciada por tais visões, e ignorando propostas Heliocentristas que já existiam antes da própria fundação da Igreja de Roma, assumiu tal postura intransigente, declarando o Heliocentrismo como uma heresia".

Percebam o tamanho da bobagem escrita: a Igreja ignorou propostas heliocentristas que já existiam desde antes da sua fundação - e por intransigência declarou o heliocentrismo uma heresia. Espero que alguém já tenha reconhecido o talento do autor para contar piadas. A Igreja incentiva que Copérnico publique sua obra, ele então a dedica ao Papa, mas a sua teoria é considerada herética? Ora, a Igreja nunca considerou o Heliocentrismo uma heresia e, aliás, o geocentrismo não era adotado por puro dogmatismo, mas porque as evidências estavam ao seu lado até poucos séculos atrás.

Ignorando a especulação infundada do rapaz, voltemos à análise séria do caso. O modelo copernicano era ensinado como uma teoria legítima em universidades jesuíticas por todo o Século XVI. No início do Século XVII, surge Galileu, que foi responsável por descobertas na física e em outras áreas. Ele detectou, através de suas observações, características que debilitavam aspectos do Sistema Ptolomaico; notou que havia crateras na Lua, anulando, assim, a ideia de esfera perfeita e, consequentemente, evidenciando falhas no modelo de Ptolomeu. Notou, também, que havia luas orbitando Júpiter, e que, enquanto Júpiter seguia sua tragetória, suas luas o acompanhavam. Isso não podia ser conciliado com o modelo de Ptolomeu, em que tudo orbitava a Terra.

Modelo Copernicano (Clique para ampliar)
O trabalho de Galileu foi bem recebido e bastante celebrado por homens da Igreja. Em 1610, o pe. Cristóvão Clávio o escreveu dizendo que seus colegas - jesuítas astrônomos - haviam confirmado suas descobertas feitas pelo telescópio. Galileu escrevera: "Fui recebido e favorecido por muitos ilustres cardeais, prelados e príncipes desta cidade". Foi ouvido pelo Papa Paulo V, e teve um dia de atividades em sua homenagem, no Colégio Romano Jesuíta. Em 1612, pela primeira vez em impressão, ele disse que favorecia o sistema copernicano, ao menos no que se referia à posição do Sol.

Galileu acreditava no Sistema Heliocêntrico, e isto não lhe trouxe problema algum. Recebeu uma carta de congratulações sobre seu escrito referente ao Heliocentrismo (História e demonstrações em torno das manchas solares e dos seus acidentes), do futuro Papa Urbano VIII, então cardeal Maffeo Barberini. A Igreja argumentava que o modelo copernicano estava correto como modelo teórico, mas ainda carecia de ser provado como verdade literal. Mesmo após detectar crateras na Lua e notar o movimento das luas de Júpiter, Galileu ainda era incapaz de refutar o Sistema Ptolomaico ou provar o de Copérnico. A rotação da Terra e o heliocentrismo só vieram a ser comprovados experimentalmente em 1851, com o pêndulo de Léon Foucault.

Era impossível, também, na época, que a Paralaxe Estelar fosse detectada: o primeiro a fazê-lo foi Friedrich Wilhelm Bessel, em 1838. Diante disso, estaria fora do alcance de Galileu demonstrá-la, ainda que vivesse mais de cem anos. E foi justamente diante da impossibilidade de refutação do modelo de Ptolomeu, que começaram os problemas do caso Galileu. Insatisfeito em admitir o heliocentrismo apenas como teoria, continuou a afirmá-lo como verdade, e foi mais longe, sugeriu, ainda que sem base, que as Escrituras deveriam ser reinterpretadas. Aqui começaria o problema.

Jerome Langford, especialista no caso, diz: "Galileu estava convencido de possuir a verdade, mas não tinha provas objetivas para convencer os homens de mente aberta. [...] Muitos eclesiásticos influentes acreditavam que Galileu devia estar certo, mas tinham de esperar por mais provas. Como é evidente, não é inteiramente correto pintar Galileu como uma vítima inocente do preconceito e da ignorância do mundo [...], parte da culpa dos acontecimentos subsequentes deve ser atribuída ao próprio Galileu, que recusou qualquer ressalva e, sem provas suficientes, fez derivar o debate para o terreno próprio dos teólogos".

O cardeal Roberto Belarmino comentou, na época: "Se houvesse uma verdadeira prova de que [...] o Sol não gira em torno da Terra, mas a Terra em torno do Sol, então deveríamos agir com grande circunspecção ao explicar passagens da Escritura que parecem ensinar o contrário, e declarar que não as havíamos entendido, em vez de declarar como falsa uma opinião que se mostra verdadeira. Mas eu mesmo não devo acreditar que existam tais provas enquanto não me sejam mostradas". Tal posição não era, de maneira alguma, intolerante. Qualquer pessoa racional do Século atual concordará que ceticismo é fundamental à ciência, e que não se deve acreditar sem provas.

"Em 1616, Galileu foi avisado que devia parar de sustentar a teoria copernicana como verdade, embora fosse livre para apresentá-la como hipótese. Galileu concordou e prosseguiu com os seus trabalhos", escreve Thomas Woods. Em 1624, voltou a Roma, e foi novamente recebido com entusiasmo. O Papa Urbano VIII comentou com ele que não tinha declarado o copernicanismo como herético, e que nunca o faria. Porém, em 1632, Galileu publicou o Diálogo sobre os dois grandes sistemas do mundo, em que ignorou a instrução de que o copernicanismo fosse tratado como hipótese. Pior que isso, ele escreveu o "Diálogo" como se fosse, mesmo, um diálogo, em que um dos personagens era um idiota: pois na boca do idiota, ele botou as opiniões do Papa.

Woods ressalta que "isso era típico de Galileu, que tinha uma natureza agressiva; irascível; uma personalidade que, às vezes, deixava a desejar. Foi à público algumas vezes para ofender quem discordava de algumas de suas ideias. E não havia sutileza na ação de utilizar a opinião do Papa colocando-a nas palavras do tolo, em seu diálogo".

Galileu não podia provar sua teoria e havia um argumento contrário bastante forte: a mudança de paralaxe, que, como já dito, só foi detectada em 1838, período em que finalmente existira equipamento capaz de detectá-la; protestantes pressionavam os católicos, dizendo que era preciso seguir a Bíblia e que não se podia adotar novas interpretações sem que se tivesse uma boa razão; e somado a tudo isso, havia esse embate de personalidades ente Galileu e o Papa - o mesmo Papa que, anteriormente, havia elogiado Galileu, e que lhe garantiu que a Igreja jamais condenaria sua teoria. A igreja não estava se recusando a aceitar evidências, ou a aceitar a ciência. Pelo contrário, estava comprometida com as evidências.

Aceitar o Modelo Heliocêntrico, naquela altura, seria como se, hoje, todos os darwinistas passassem, sem mais nem menos, a admitir o Design Inteligente. Os mesmos cientistas que hora ou outra apontam a "intolerância" contra Galileu, seriam os mesmos a repreendê-lo sem que as provas suficientes existissem. É o que fazem com o Design Inteligente, porque ainda não há motivos para abandonar o darwinismo, e não se sabe se haverá. O fato é que a Igreja agiu corretamente, respeitando a ciência da maneira que ela precisa ser respeitada: com base nas evidências. Se a paralaxe e a rotação da Terra foram descobertas mais de cem anos após Galileu, como seria sensato e científico considerá-lo correto? Acusar a Igreja de ignorar as evidências não é exatamente o que fazem os neo-ateístas raivosos de hoje?

Parece que querem acusá-la por agir com ceticismo, quando fazem com outras teorias exatamente a mesma coisa. Se a Igreja tivesse aceitado o Heliocentrismo sem provas, a acusariam de anti-científica, mas como agiu com respeito às evidências, a acusam de repressora. O que fica claro é que, não importa a situação, querem sempre culpar a Igreja.

Há quem chegue ao ponto de dizer que Galileu morreu queimado na fogueira da Inquisição - mais uma das centenas de mentiras já relatadas ao longo deste texto. Galileu apenas foi detido, e possuindo muitos privilégios junto à cúria, em vez de ocupar uma cela, residia no apartamento do procurador fiscal, uma espécie de hospedaria do palácio do Santo Ofício, providência de excepcional deferência para um acusado de exceção.

Foi "condenado à penitência e a prisão perpétua, mas por ordem do Papa, em vez de ser encarcerado nas celas do palácio do Santo Ofício, pode imediatamente instalar-se na residência do embaixador e em seguida cumprir a pena sob a forma de prisão domiciliar em sua casa de Arcetri", ressalta Fedeli. Galileu morreu em 1642, em sua cama, aos 77 anos de idade.

Vejam que curioso: por defender a ciência, deu-se a origem do mito de que a Igreja era hostil à ciência. É muito engraçado este mundo em que vivemos. Se por ventura a teoria de Darwin falhar, como falhou a de Ptolomeu, será justo que chamemos os darwinistas de opressores, inimigos da ciência ou culpados por impedir o progresso da humanidade? Tendo em vista o que dizem cientistas como Dawkins, é exatamente isto que deveria acontecer: culpar o cientista por praticar a ciência. Talvez aqueles que, hoje, perdem seus empregos por irem contra o darwinismo estejam sofrendo algo que o próprio Galileu nunca sofreu: intolerância religiosa.


Referências e recomendações:
  1. Inventing the Flat Earth
  2. A Terra na Idade Média
  3. Os culpados pelo mito
  4. Carlos Magno
  5. Hugo Capeto
  6. O Livro Negro do Comunismo
  7. A Inquisição em seu Mundo
  8. Para Entender a Inquisição
  9. Beyond the Myth of The Inquisition
  10. Inquisition
  11. The Inquisition in Early Modern Europe: Studies on Sources and Methods
  12. La Vera Storia dell Inquisizione
  13. L' inquisizione. Atti del Simposio internazionale
  14. The Spanish Inquisition: a Historical Revision
  15. A History of Inquisition in the Middle Ages
  16. Bibliografia para estudo da Inquisição
  17. How the Catholic Church Built Western Civilization
  18. The Foundations of Modern Science in the Middle Ages
  19. The History of Science from Augustine to Galileo
  20. Galileu
  21. O Caso Galileu
  22. Algumas coisas mais sobre Galileu
  23. Ptolomeu e Copérnico
  24. Leon Foucault
  25. Friedrich Wilhelm Bessel
  26. A condenação de Galileu
  27. Design Inteligente é ciência?

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