7 de março de 2011

Brasil: terra dos palpiteiros #1

Os populares vlogs, que já há um bom tempo têm sido uma das maiores manias nacionais, estão apresentando uma característica comum bastante curiosa: a crítica religiosa baseada em palpites. É um fenômeno difícil de explicar, mas fácil de desmentir, já que não há opinião insensata que resista a um argumento sério.

Mas talvez o verdadeiro problema seja a estranha estima que o público desses vlogs tem pelas opiniões extremamente ignorantes de seus autores. Aplaudir a ignorância das pessoas me parece tão estranho e inadequado quanto o Presidente Lula dizer que o ENEM 2010 "foi um sucesso extraordinário", quando, na verdade, a edição do exame foi, no mínimo, assustadora.

Talvez seja um fenômeno tipicamente brasileiro: é possível que a inigualável cara-de-pau do ex-Presidente tenha contaminado a população, apesar de ser mais sensato aceitar que ele é, de fato, o reflexo perfeito do povo brasileiro - sua popularidade é a primeira evidência disso. O mais triste, porém, não é admitir esta dura realidade, mas perceber que nossos jovens foram por ela tão afetados. Tendo eu mesmo vinte e um anos, seria impossível não notar o tamanho do estrago, que se faz presente em cada canto em que se vai. As novas gerações já nascem corrompidas por gerações antigas para as quais não há mais solução.

Não cito o "grande" Luiz Inácio aleatoriamente! Talvez essa característica peculiar do brasileiro de falar daquilo que não sabe seja perfeitamente personificada por ele. Encontramos o melhor exemplo disso no episódio em que Lula, em uma tentativa frustrada de ser climatologista, disse que a "questão do clima é delicada [...] porque o mundo é redondo". Sua sucessora, Dilma Rousseff, também pode ser lembrada como expert na admirável arte de palpitar. Segundo ela, "o meio ambiente é, sem dúvida nenhuma, uma ameaça ao desenvolvimento sustentável". Mas também não seria certo julgá-la por esta falha; afinal, deve ser difícil falar sobre algo que ela mesma sequer imagina o que seja, e é possível suspeitar que seja comum se confundir com discursos elaborados por terceiros.

Palpitar certamente soa muito informal para quem quer falar sério, mas não há maneira melhor de descrever esta prática nacional que está no sangue de nosso povo. E se já se tornou comum dizer que os homossexuais já nascem homossexuais - ainda que a própria ciência nada tenha confirmado sobre isso -, por que não dizer a mesma coisa sobre outras características que parecem pertencer à genética? Ora, se o homossexual nasce homossexual porque já quando pequeno tende a manifestar comportamentos homossexuais, posso brasileiramente defender que o palpiteiro já nasce palpiteiro porque já pequeno tende a manifestar comportamentos comuns daqueles que palpitam - com os vlogs e o conteúdo neles exposto pelos jovens temos uma evidência científica melhor que a que temos no caso do gene gay, aliás.

Aqui começa uma aventura em busca de evidências que confirmem a minha hipótese, embora os exemplos de Lula e Dilma me pareçam suficientes para ela receber o status de teoria - mas o que é suficiente para mim pode não ser para outras pessoas, é claro. Infelizmente me limitarei a investigar as opiniões de vloggers que falaram sobre religião, mas é evidente que a arte de palpitar se verifica em outras centenas de temas eventual ou comumente abordados por eles. A seguir estão os exemplos que eu considero mais oportunos e os meus comentários sobre cada um deles.


A primeira coisa que precisa ser dita sobre o vídeo acima, é que não fica explícito qual religião o autor está acusando. Por isso é necessário supor que a maioria das críticas se dirige aos cristãos, e já aqui adianto que a suposição pode estar equivocada. O faço porque o cristianismo é a religião mais praticada no Brasil, e acho muito improvável que o autor, sendo brasileiro, estivesse falando de outros países, já que isso nem mesmo fica implícito. Ele admite estar fazendo generalizações, mas mesmo que esse fosse o caso, um conhecimento mais apurado ao menos sobre as religiões mais populares do mundo seria requerido. Porém, tal conhecimento não se verifica no vídeo em momento algum. Seja como for, se a suposição de que o alvo principal é o cristianismo estiver realmente equivocada, supor que ele esteja falando de alguma religião cuja raiz se encontra na tradição semítica pode resolver esse problema.

Vemos no vídeo a seguinte afirmação: "Eu acredito que a religião é o maior problema da humanidade". Supor-se-ia que após tal afirmação, viria a justificativa que a suporta e lhe confere veracidade, mas isso não acontece. Há, logo após a afirmação, um desvio repentino do objeto de discussão: abandona-se a religião e passa-se a falar do religioso. Talvez se possa identificar tal situação como distração, mas só seria lícito relevá-la se a afirmação não fosse fundamental ao próprio discurso que segue. Se a religião é o maior problema da humanidade e é partir dessa afirmação que se entende todo o contexto posteriormente apresentado, não se pode deixá-la solta, faltando com a responsabilidade de oferecer ao espectador um bom argumento que valide tal conclusão.

Dirão que não há nem uma única justificativa porque a intenção do autor não é de convencer, pois, como ele mesmo deixa claro, as ideias apresentadas são opiniões pessoais. Porém, vemos que o autor diz que existem pessoas religiosas inteligentes, mas que elas são aquelas que um dia deixarão de ser religiosas. Portanto, tendo com isso assumido um compromisso com a própria inteligência, se espera que ele mesmo venha a respeitá-la. Qualquer pessoa poderia facilmente concordar que não é inteligente expor uma opinião que pretende ser inteligente sem que haja alguma base convincente apoiando tal opinião.

Eu poderia dizer que as maçãs são o maior problema da humanidade e que sou profundamente decepcionado com todas as pessoas que gostam de maçãs. Mas eu seria facilmente taxado de louco - e com razão dos que viessem a assim me taxar - se dissesse que pessoas inteligentes deixariam de gostar de maçãs. Isso porque, em nenhum momento, eu forneci qualquer argumento válido apoiando a minha ideia de que maçãs são o maior problema da humanidade. Eu simplesmente afirmei, dei a minha opinião. Mas se a minha opinião não está baseada em nada que qualquer ser humano possa chamar de coerente, inteligente, ou, no mínimo, aceitável, qual o sentido em compartilhá-la com alguém? O que vemos no vídeo, mantendo o exemplo das maçãs, poderia ser explicado da seguinte maneira: primeiro eu digo que as maçãs são o maior problema da humanidade e, logo após, em vez de explicar porque as maçãs são esse problema, eu começo a dizer que as pessoas que gostam de maçãs são desse ou daquele jeito problemático, deixando de lado a explicação que eu deveria fornecer.

É evidente que, se as pessoas que gostam de maçãs são problemáticas, não se conclui logicamente que a causa desses problemas é a maçã. Portanto, somente uma argumentação que justifique a afirmação de que as maçãs são o maior problema da humanidade pode ser considera plausível. Justificar tal afirmação apelando para o comportamento de determinados consumidores de maçã caracteriza, pois, um non sequitur. Há de se reconhecer que, diante disso, a pessoa que viesse a chamar o rapaz de arrogante, como ele mesmo supõe, não estaria, de fato, equivocada. Se há a pretensão de caracterizar os religiosos como intelectualmente inferiores, não é a custa de falácias que ficará justificada essa inferioridade.

Como isso não é tudo, é necessário analisar o discurso dirigido às pessoas religiosas, pois também aí pode-se identificar outras incoerências. A religião é exposta, no vídeo, como uma filosofia criada por alguma coisa que não existe e visa auxiliar as pessoas a se tornarem melhores que elas mesmas através de ensinamentos impraticáveis. E mesmo que elas não pratiquem tais ensinamentos, elas fingem que os praticam e acabam se considerando melhores que as pessoas que não são religiosas. A pessoa religiosa é mais hipócrita que a não religiosa por considerar-se superior à não-religiosa, mas ser tão pecadora quanto esta última. Por fim, as punições, que existem em todas as religiões, valem para todas as pessoas, menos para a pessoa que pertence a essa ou aquela religião.

Notamos ali a alegação de que a filosofia de uma religião é criada por algo que não existe. Temos, então, uma alegação que precisa ser demonstrada, pois o ônus é de quem afirma. Se eu afirmo, por exemplo, que Deus existe, me cabe demonstrar a existência. Da mesma forma, se eu afirmo que não existe, me cabe demonstrar a inexistência. Porém, o vlogger não demonstra sua alegação, novamente comprometendo o seu discurso em que muito se afirma, mas nada se confirma. O mesmo se aplica a praticamente todas as alegações seguintes: não é demonstrado que os ensinamentos são impraticáveis, que as pessoas fingem praticá-los ou que elas se consideram melhores que quem não os pratica.

Para identificar algo como impraticável, primeiro deve-se expor o que deve ser praticado e demonstrar que nenhum ser humano foi capaz de praticar o proposto. No vídeo, não é dado um único exemplo de mandamento ou ensinamento impraticável, portanto, é impossível dizer se eles são, de fato, praticáveis ou não. Quanto à alegação de que as pessoas religiosas fingem praticar algo e considerarem-se superiores a quem também não o pratica, seria necessário demonstrar que absolutamente todos os religiosos fingem praticá-lo e que todos consideram-se superiores a quem não o pratica. É razoável identificar tal afirmação como medíocre, pois somente um ser onisciente poderia verificá-la. Nota-se, naturalmente, que a generalização feita conscientemente pelo autor é completamente inadequada. Imaginem que eu diga que todos os torcedores do São Paulo consideram-se superiores aos torcedores do Palmeiras porque o uniforme do São Paulo tem três cores: além de precisar demonstrar que todos os torcedores do São Paulo consideram-se superiores aos torcedores do Palmeiras, ainda precisaria demonstrar que o motivo alegado é o que justifica tal sentimento de superioridade. A afirmação de que todos os religiosos consideram-se superiores aos não religiosos simplesmente por serem religiosos é tão absurda quanto esse exemplo dos torcedores.

Como uma ideia segue a outra, estando uma equivocada, é muito fácil equivocar-se em todo o discurso. Assim, não estando demonstrado que os religiosos consideram-se melhores que os não religiosos, não segue que o primeiro seja mais hipócrita que o segundo. Eu, enquanto religioso, não me considero melhor que o não religioso, pois uma das ideias fundamentais da religião que sigo diz que todos os homens são iguais e todos eles pecadores. Que dentro desta religião haverá hipócritas, qualquer criança poderia entender, mas que absolutamente todos os seguidores desta religião sejam hipócritas, nem o mais louco dos homens poderia admitir.

Se todas essas ideias confusas não bastassem, ainda há a afirmação de que as punições que encontramos nas religiões se aplicam exclusivamente aos não religiosos, ou seja, no inferno só há ateus. Eu me sinto envergonhado diante de tamanho absurdo; não consigo imaginar em que Igreja esse rapaz possa ter entrado - se é que entrou em alguma uma única vez. O cristianismo, por exemplo, diz que todos os homens são pecadores, exceto Cristo, que é também Deus. E quanto ao inferno, segundo Apocalipse 21: 8, "pelo que toca aos covardes, aos incrédulos, aos execráveis, aos homicidas, aos fornicadores, aos feiticeiros, aos idólatras, e a todos os mentirosos, a sua parte será no tanque ardente de fogo e de enxofre, que é a segunda morte". Talvez ele ficaria feliz ao descobrir que a Igreja sempre esteve ciente da hipocrisia de muitos "fiéis", e mais ainda que essas pessoas que se consideram superiores a alguém tem um destino tão "promissor" quanto os infiéis que elas possivelmente acusarem. Seja como for, é admirável que cinco minutos possam abrigar tanta falta de sentido. Definitivamente, torna-se curioso entender como um pensador autêntico não se tornará um ateu; e lamento muito o fato de eu não mais poder pensar, já que a religião castrou o meu livre-pensamento: é uma pena.

Após isso, ouvimos mais uma vez que todas as pessoas que seguem uma doutrina fazem questão de não pensar a respeito, e que as religiões se dizem democráticas, mas, no fundo, qualquer questionamento resulta em marginalização do questionador. Segundo o autor, quem está em uma religião ou já fez parte, sabe como é. Infelizmente, eu não sei: ou melhor, sei que não é dessa maneira, mas novamente corro o risco de estar sendo enganado pelo meu cérebro limitado. Portanto, não seria justo que eu confiasse na minha própria experiência, principalmente por que todas as religiões são como ele descreve. Após tantas alegações seguidas de abundantes evidências e demonstrações, sinto ter faltado o convite: "Venha ser ateu: abrace a inteligência hoje". Diante de tal apresentação praticamente científica, resta-nos aplaudir.


O segundo vídeo tinha como título original "Ser ateu no Brasil é como ser católico no inferno", mas talvez por uma má repercussão o autor tenha optado por algo mais suave. Ele faz o vídeo em resposta ao vídeo anterior, e começa dizendo que concorda com tudo que foi dito pelo outro rapaz. Seu primeiro acréscimo se refere à influência histórica da religião no nosso país. O autor, de maneira estranha, parece se conformar com a origem do nome da cidade de São Paulo, mas demonstra não concordar com os vários outros casos - como se São Paulo fosse a única cidade cuja origem depara-se com o cristianismo.

O autor argumenta de maneira confusa e pouco convincente, mas o mais interessante é a confusão - que se nota no vídeo todo - entre Estado laico e Estado laicista ou ateu. O fato de termos símbolos religiosos em repartições públicas não fere, de maneira alguma, a laicidade. O Estado é laico, pois nenhuma religião é imposta a ninguém no Brasil: há liberdade para ser cristão tanto quanto há para ser ateu. O que muitos ateus não conseguem ou não querem entender, é que o povo brasileiro é majoritariamente cristão, e esse povo tem o direito de manifestar a religião, inclusive publicamente, como assegura o Art. 18 da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Poder-se-ia, obviamente, sugerir que os ateus insatisfeitos com a laicidade do Estado brasileiro se mudassem para algum Estado islâmico, mas acredito que eles preferirão, mesmo, continuar nesse Estado "pseudo-laico" em que estão.

Acontece que muitos ateus veem a laicidade como uma ofensa pessoal, e para que se repare uma injustiça que ele supostamente sofreu, seria apropriado retribuir a ofensa, talvez criminalizando as práticas de determinada religião. O Estado laico visado por muitos ateus é o Estado que proíbe a liberdade de uma maioria para que uma minoria não se sinta marginalizada. Ver um jovem ser suspenso de um colégio por usar um terço talvez não lhes parecesse uma ofensa à Constituição, mas quem sou eu para propor adivinhações?

O autor do vídeo parece se ofender porque há a palavra Deus na Constituição, e o faz por pensar que Estado laico significa um Estado ateu que não permite a presença do transcendental, ainda que mais de 80% da população creia nesse mesmo Deus por livre e espontânea vontade. Bem como a PL122/2006 tentara criminalizar qualquer discordância com a prática homossexual, o ateu vê na palavra laico uma obrigação de criminalizar e abolir a religião do âmbito social.


Ainda podemos alertar o autor sobre uma parte da História que ele parece não conhecer. Ele sugere que a religião não ajuda os doentes, já que precisamos de hospitais, mas o que ele parece não saber é que, se existem hospitais, é por causa da Igreja, portanto, não é apropriado dizer que a religião não ajuda os doentes. De qualquer forma, cavemos este buraco um pouco mais fundo: no Século IV, foi a Igreja que começou a patrocinar a fundação de hospitais em larga escala. Mais que isso, historiadores apontam para a Igreja como a fundadora das primeiras instituições atendidas por médicos, onde se faziam diagnósticos, se prescreviam remédios e se contava com um corpo de enfermagem (Alvin J. Schmidt, Under the Influence, págs. 153-5).

O historiador da medicina Fielding Garrison diz que, antes de Cristo, "o espírito com que se tratava a doença e o infortúnio não era o de compaixão, e cabe ao cristianismo o crédito pela solicitude em atender o sofrimento humano em larga escala" (Fielding H. Garrison, An Introduction to the History of Medicine, pág. 118). Foi uma mulher cristã que, em um ato de penitência, fundou o primeiro grande hospital público em Roma. O historiador Thomas Woods escreve que ela "percorria as ruas em busca de homens e mulheres pobres e enfermos necessitados de cuidados" (Thomas E. Woods, Como a Igreja Católica Construiu a Civilização Ocidental, pág. 166). Diante disso, será mesmo justo dizer que a religião é um placebo que nada faz? Aliás, tendo a Igreja presenteado o mundo com essa instituição indispensável a qualquer sociedade, não fica mais fácil entender por que há um crucifixo adornando a recepção dos hospitais? Não fica mais fácil entender por que o símbolo mais marcante desses mesmos hospitais é uma cruz? Antes de uma "preferência", como questiona o autor do vídeo, os crucifixos em repartições públicas representam justiça e reconhecimento a quem é devido.

Talvez a afirmação mais bizarra do vídeo seja a de que a Rede Globo seja casada com a Igreja Católica. Só para recordar, as novelas da Globo estão promovendo o homossexualismo como nunca na história da televisão brasileira, a Retrospectiva 2010 divulgou a falsa informação de que o Papa houvera liberado a camisinha, e já não é de hoje que a emissora promove fortemente o espiritismo - Chico Xavier, que é frequentemente exaltado pela emissora, já teve filmes e minisséries em sua homenagem. Parece-me que de todas as coisas que se pode chamar de paranoia genuína, acreditar que a Globo tem uma relação de afeto com a Igreja é sem dúvida uma das mais absurdas - ou, nesse caso, sensatas. 

Para o final, fica uma crítica raivosa contra a posição da Igreja quanto a camisinha. A objeção se baseia na possibilidade de superpopulação e de transmissão de doenças. Mas a argumentação é frágil e desonesta, pois o autor ignora convenientemente a defesa da Igreja acerca da castidade. Além disso, a posição da Igreja é consciente, e mesmo especialistas confirmam a sensatez de sua postura. Segundo Edward Green, diretor do Projeto de Investigação e Prevenção da AIDS, do Centro de Estudos sobre População e Desenvolvimento de Harvard, as evidências que existem apontam que a distribuição em massa de camisinha não é eficiente para reduzir a contaminação na África. Na verdade, ao NRO, ele afirmou que não havia uma relação consistente entre tal política e a diminuição da contaminação. "O que nós vemos de fato é uma associação entre o crescimento do uso da camisinha e um aumento da AIDS. Não sabemos todas as razões. Em parte, isso pode acontecer por causa do que chamamos 'risco compensação'".

Aparentemente, não é a Igreja que está prestando um desserviço à população, e sim aqueles que confiam cegamente em resoluções que mesmo a ciência não está apta a recomendar como eficaz. Como se a palavra de um pesquisador de campo não fosse o suficiente, podemos lembrar o caso de Uganda, que se tornou modelo no combate a AIDS: o sucesso veio através da abstinência e fidelidade. Surpreendente, não?

E ainda resta a alegação sobre os casos de pedofilia, que, segundo o autor, são frequentes. Para botar um ponto final à questão, nada melhor que as palavras de um ateu que enxerga além da propaganda anticatólica. Segundo Brendan O'Neill, reconhecido colunista inglês, "a frase ‘sacerdote pedófilo’ se converteu em parte habitual do jargão cultural cotidiano e fez com que muitos, quando leram no jornal Independent (da Inglaterra) na semana passada que mais de 10 mil crianças saíram à luz para dizer que foram violadas (por sacerdotes católicos), pensassem provavelmente: ‘sim, é possível’. Mas o certo é que isto não é verdade". O'Neill desmascarou a fraude praticada pela mídia ao reportar sobre casos de pedofilia na Igreja e fez um favor a todos que têm preguiça de se informar com o mínimo de seriedade: frequentemente esse é o meu caso. As conclusões do colunista podem ser acessadas integralmente na lista de referências.

Imagino que não se poderia esperar muito de um vlogger que começara sua apresentação elogiando um vídeo cuja grande atração é a falta de compromisso com a verdade: quem não nutriu expectativas fez muito bem. E se é verdade que o ateu no Brasil é como o católico no inferno, poderíamos lembrar ao segundo autor que, como bem alertou aquele que ele elogiara, o inferno é apenas para aqueles que não têm religião. Não deve haver católicos no inferno, certo? Ou será que não há ateus no Brasil, afinal? Há quem ficará confuso.


Referências e recomendações:
  1. Lula sobre ENEM
  2. ENEM 2010 
  3. Lula sobre o clima
  4. Dilma sobre o meio ambiente 
  5. Cultura religiosa e Estado laico
  6. Estudante suspenso por usar terço 
  7. Homossexualismo na rede Globo
  8. Rede Globo vs. Bento XVI 
  9. AIDS Prevention Research Project
  10. Media coverage of papal comments on AIDS 
  11. "As a liberal, I say the Pope is right" 
  12. Uganda contra a AIDS 
  13. Brendan O'Neil sobre a pedofilia na Igreja 
  14. Estado laico ou laicista?
  15. Sã laicidade
  16. Um fundamento cristão
  17. O Papa e os preservativos
  18. Especialista afirma que o Papa está certo
  19. O exemplo de Uganda
  20. A mente moderna contra a Igreja
  21. Under the Influence
  22. An Introduction to the History of Medicine
  23. How the Catholic Church Built Western Civilization
  24. The Church Confronts Modernity: Catholic Intellectuals and the Progressive Era
  25. What's So Great About Christianity
  26. Reasonable Faith
  27. A caridade
  28. Baixeza de PC
  29. Técnica: Ciência permite discussão, religião não

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