13 de março de 2011

Thank God for the four horsemen!

Em setembro escrevi algumas dezenas de parágrafos sobre Richard Dawkins, para mostrar um pouco da sua desonestidade e incompetência ao encarar assuntos que são de seu interesse. Como "um pouco" não é o bastante, e tendo em vista como o professor atinge níveis imensuráveis de ignorância, mau-caratismo e prepotência, resolvi compilar mais evidências que demonstram suas peculiaridades. Dessa vez, porém, decidi estender a exploração aos seus grandes companheiros de causa e mostrar por que eles só conseguem a atenção de crianças rebeldes ou adultos que esqueceram de amadurecer.
Me refiro aos chamados quatro cavaleiros do ateísmo: Christopher Hitchens, Dr. Daniel Dennett, Richard Dawkins e Dr. Sam Harris. Essa postagem, ao contrário da primeira, não focará apenas na desonestidade do neo-ateísmo ou em suas fraudes intelectuais, mas em algumas ideias dos ateístas citados e as implicações dessas ideias, bem como uma resposta às que não parecem legítimas.

Um dos maiores problemas que se enfrenta ao dirigir uma crítica a alguém, é ferir a possível autoridade que este alguém representa. Um dos mais frequentes ataques aos meus primeiros comentários sobre Dawkins, foi justamente o fato de eu não ser um biólogo renomado, autor de vários livros, etc. Quanto a isto, cabe alguns esclarecimentos. O fato de uma pessoa ter autoridade para falar de determinado assunto x, não a garante autoridade para falar de assuntos a, b, c ou d, principalmente quando ela os desconhece completamente. Se a está razoavelmente ligado a b, mas completamente desligado de m, pode-se razoavelmente compreender que aquele que domina a entenda um pouco sobre b, mas não se pode razoavelmente esperar que ele mesmo domine o mínimo sobre m. Por exemplo, podemos esperar que um administrador domine um mínimo sobre Contabilidade, mas não podemos esperar que este administrador domine um mínimo sobre Física Quântica. Este conhecimento é, a princípio - ou provavelmente -, alheio ao seu domínio. Isto não significa que o administrador não pode conhecer a Física Quântica; significa apenas que isto não é uma obrigação ou, muito menos, uma necessidade.

Qualquer pessoa pode facilmente compreender isso. Ou melhor, qualquer pessoa deveria facilmente compreender isso. Em uma discussão em um fórum do Orkut, fiz a acusação de que Dawkins erra ao debater sobre aquilo que não conhece nem o mínimo necessário. Em ordem para demonstrar isso, utilizei exemplos referentes à Filosofia, História e Teologia. Para minha surpresa, me acusaram de estar afirmando que não se pode falar sobre aquilo que nossos diplomas não autorizam. Isto, obviamente, é fruto da incapacidade de entender que: (1) pode-se falar daquilo que nosso diploma não autoriza; desde que (2) conheçamos apropriadamente aquilo que nosso diploma não nos garante. Se estudamos quatro anos para receber o primeiro título do campo que nos interessa, por que não dedicar alguns meses ou anos para compreender outros campos que nos interessam de maneira semelhante?

Como futuro administrador, nada me impede de me aprofundar em Biologia, História ou Literatura; o que não me é lícito, por exemplo, é não ter sequer dedicado uma ou duas semanas a compreender o Darwinismo, e afirmar que "é ridícula uma teoria que diz que o homem evoluiu do macaco". Isto é, sem dúvida, uma prova de ignorância e desonestidade, porquanto não é isto que diz a teoria, e se eu a tivesse estudado, conheceria ao menos os seus conceitos básicos. Pois é precisamente isto que os quatro cavaleiros do neo-ateísmo fazem, mas em relação às religiões. Baseado nos seus comentários "épicos" em livros, palestras e afins, não se pode razoavelmente admitir que eles tenham dedicado mais do que dez minutos das suas vidas a compreender os temas que eles mais frequentemente tem abordado. Estando isto fixado, cabe a mim demonstrar minhas alegações.
Daniel Dennett é certamente um filósofo modesto. Segundo ele, o termo ateu deveria ser abandonado e substituído por brilhante. O quê? Exatamente isso: uma vez que o termo ateu pode ser mau recebido, é hora dos ateus serem chamados como realmente merecem. Ele escreve: "Chegou a hora de nós brilhantes sairmos do armário. O que é um brilhante? Um brilhante é uma pessoa com uma visão de mundo naturalista [...]. Nós, brilhantes, não acreditamos em fantasmas, elfos, nem no Coelho da Páscoa - ou em Deus" (http://www.nytimes.com/2003/07/12/opinion/the-bright-stuff.html). Por que não levantar nossas taças em celebração a este discurso verdadeiramente... ah... brilhante?

Antes de responder às afirmações de Dennet, porém, eu gostaria de atentar para a sua formação acadêmica. É formado em Filosofia pela Universidade de Harvard, e Ph.D. pela Universidade de Oxford. E por que isso tem importância? Vejam, no solo cada vez mais cientificista em que pisamos, tornou-se comum a prática de desprezar a Filosofia, o que se deve ao pensamento de que esta estaria sendo substituída pela Ciência. O maior exemplo disso é Stephen Hawking, que disse, em seu livro The Grand Design: "Como podemos entender o mundo em que nos encontramos? Como o Universo se comporta? Qual é a natureza da realidade? De onde tudo vem? O universo precisou de um criador? Muitos de nós não gasta parte do nosso tempo se preocupando com essas questões, mas todos nós sempre acabamos nos preocupando com elas em algum momento. Tradicionalmente, essas questões são questões para a filosofia, mas a filosofia está morta" (Stephen Hawking and Leonard Mlodinow, The Grand Design, pág. 5).

A afirmação de Hawking não é uma ofensa aos filósofos, mas uma ofensa a humanidade. A ciência, tal como a concebemos, não pode ser justificada sem uma filosofia. A ciência não é auto-suficiente e não é um conjunto de saberes que dispensa a necessidade de outros conjuntos: se desprezarmos os pressupostos da ciência, que a antecedem e não podem ser por ela comprovados, não haverá ciência nenhuma. Mais notável ainda é que, quando o físico afirma que a "filosofia está morta", ele mesmo está recorrendo à filosofia. Hawking se tornou uma referência em seu campo, um dos maiores, definitivamente, mas não se pode esquecer que até os grandes cometem erros, e nesse caso, precisamente, é mais adequado chamar o erro de infantil; uma verdadeira bobagem.

E essa não é a maior bobagem que encontramos no livro. Lemos: "A teoria M prediz que vários universos foram criados do nada. Sua criação não requer a intervenção de qualquer ser sobrenatural ou deus. Então, esses múltiplos universos surgem naturalmente das leis físicas". Com isso, Hawking nos mostra que, na verdade, não é a filosofia que morreu, mas a capacidade dele mesmo em compreendê-la. Se a teoria M - teoria do tudo - prediz que vários universos foram criados do nada, como afirmar, uma linha depois, que esses universos surgiram das leis físicas? Ora, isso implica em, no mínimo dizer que as leis físicas são esse "nada", o que não tem sentido, já que, se leis físicas, não se pode dizer que elas não são algo. "Nada" significa não ser, e se as leis físicas são, como o ser pode ser e, ao mesmo tempo, não ser? A contradição é óbvia.

William Lane Craig escreve: "o que precisamos perguntar ao Professor Hawking aqui é: como está sendo usada a palavra 'nada' nessas declarações? Pela palavra 'nada', ele quer dizer o que o metafísico ou filósofo diz, ou seja, 'não ser'? Ele quer dizer literalmente 'nada' no sentido de 'não ser'? E, se ele está usando nesse sentido filosoficamente correto, então ele precisa lidar com os problemas metafísicos de como seres podem surgir de não ser. Se a teoria dele sugere que seres surgem literalmente de não ser, sem nenhum tipo de causa, então eu acho que isso é metafisicamente problemático e requer uma explicação. [...] Não há nada, e o 'nada' não pode ser limitado, porque o 'nada' não é uma coisa, é um 'não ser'. Então, ele precisa lidar com estes problemas metafísicos. Craig lembra que, "se há leis [...], então não é verdade que 'não há nada'. Então, a declaração é em si mesma contraditória". Ele encerra atentando para uma famosa frase de Einstein: "O homem de ciência é um filósofo pobre"; e diz que "o livro de Hawking e Mlodinow testemunha a sagacidade de Einstein" (http://www.reasonablefaith.org/site/News2?page=NewsArticle&id=8415).

O que tudo isso tem a ver com Dennett? William Lane Craig, assim como ele, é um filósofo, e justamente por isso, é acusado de ser um pensador inútil por aqueles que compartilham a ideia contraditória proposta por Hawking, já que, se a filosofia perdeu seu espaço, é melhor que os ditos filósofos se calem de uma vez por todas. Vários usuários do Youtube menosprezam frequentemente a formação acadêmica de Craig, Ph.D. em Filosofia e Ph.D. em teologia, como vemos no seguinte vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=VHpz5G2gsMQ. Eis a descrição: "Debate entre Christopher Hitchens (jornalista, escritor e crítico literário formado na Universidade de OXFORD) [vs] William Lane Craig (professor de Filosfia [na] Universidade de Biola). Vejam a imbecilidade de Craig para refutar o gênio Christopher Hitchens". Notamos uma ênfase na formação de Hitchens e um desprezo pela formação de Craig, que sequer é relatada, e isso acontece justamente pelo desprezo generalizado que os neo-ateus têm pela Filosofia - mais deixemos o caso de Hitchens para depois.

Aí está, justamente, a ironia do caso de Dennett. Sendo ele um filósofo com as mesmas qualificações acadêmicas que Craig, a primeira atitude dos neo-ateus para com ele deveria ser a de equivalente desprezo. Pela maneira neo-ateísta de pensar, Dennett é um mero filósofo que não tem o direito de se meter com os reais assuntos da ciência. Se o Dr. Craig deve ser ignorado por representar uma disciplina inútil que já foi enterrada, como o Dr. Dennett pode ser tolerado e até mesmo aplaudido por representar a mesma disciplina? A incoerência neo-ateísta é facilmente explicada: William Lane Craig é cristão; Dennett é ateu. Para os ateus, o problema não é realmente a Filosofia, mas para que fins a Filosofia está sendo defendida. Sendo ela fundamental à defesa do caso teísta, a pré-disposição a rejeitá-la precocemente é natural, mas se ela beneficiar o lado ateísta, é possível abrir uma exceção. Aparentemente, Stephen Hawking não é o único perdido em meio a contradições infantis.

Clique para ampliar
De qualquer forma, deixemos de lado a maneira conveniente de pensar dos neo-ateus e foquemos nas ideias do filósofo "brilhante". Quando Dennett afirma que os brilhantes não acreditam em Deus da mesma maneira que não acredita em fantasmas e elfos, já está sendo desonesto o bastante para equiparar a crença teísta com  contos infantis. Temos, então, a ridicularização da crença, a sugestão de que que as evidências esperadas para Deus se assemelham com as esperadas para fantasmas, elfos, Coelho da Páscoa, Papai Noel, etc., e principalmente o self-selling em proporções bizarras. Dennett é brilhante em comparação aos pobres e ingênuos teístas, não acredita em Deus porque não há evidências para crer que Ele exista e situa esta ausência de evidências no mesmo plano em que se encontra os personagens fictícios que ele descreve.

Mas, especialmente nesse caso, não nos foi dada nenhuma evidência de que Dennett ou nenhum outro ateu é brilhante - superior a qualquer outra pessoa -, não foi explicado de que maneira a crença em Deus é invalidada da mesma forma que a dos personagens citados e muito menos quais as evidências esperadas para cada um dos casos. Portanto, ainda que Dennett estivesse certo, ele não estaria dando ao leitor bons argumentos para sustentar sua posição; ele simplesmente está alegando, se vendendo, esperando que as pessoas, sem nenhum motivo plausível, simplesmente confiem e acreditem nele. Mas assim como não há evidências para acreditarmos na existência de elfos, não nos foi dado evidências para acreditar na existência do brilhantismo de Dennet, e nesse sentido, é preferível assumir, pelos mesmos critérios que ele propôs, que não há brilhantismo algum.

Estaria bom se isso fosse o pior que se pode encontrar na obra do auto-proclamado gênio. Em seu livro Quebrando o Encanto, ele ressalta o "lastimável legado de perseguição aos seus próprios cientistas", referindo-se a Igreja Católica. Mas esse legado se resume sempre ao mesmo episódio: o caso Galileu. O interessante, no entanto, é que, se fosse verdadeiro esse legado de perseguição, Galileu seria um dos piores exemplos para ilustrá-lo. O caso já foi abordado em outra postagem (http://www.caosdinamico.com/2010/11/grandes-mitos-sobre-igreja-catolica-1.html), e o que se pode concluir é que o caso Galileu não caracteriza nenhuma perseguição, nenhum exemplo do conflito entre a Igreja e a ciência e, mais importante, tem um principal culpado: o próprio Galileu. Como os detalhes já foram expostos na postagem referida, apenas acrescentarei o que diz Arthur Koestler: "A ideia de que o julgamento de Galileu foi uma espécie de tragédia grega, um confronto entre a fé cega e a razão iluminada, está ingenuamente equivocada". Também recomendo o seguinte breve documentário: http://www.youtube.com/watch?v=SxhZBT6jgS0.

É de se espantar que uma pessoa brilhante possa ser tão ignorante sobre um dos pilares de sua aversão à religião, isto é, os eventos históricos. Ignorância histórica é o que há por baixo da máscara do brilhantismo ateísta, mas seria ótimo se Dennett fosse o único que usasse essa máscara tão frágil. Além disso, quando não há necessariamente ignorância, são abertas muitas brechas. Segundo Dennett, "o terrorismo da Al Qaeda e do Hamas ainda é de responsabilidade do Islã, e as explosões de clínicas de aborto ainda são de responsabilidade do cristianismo". E como diz Dinesh D'Souza: "Pois bem! Aceitemos o critério de Dennett. Entretanto, seguindo esse mesmo critério, os milhões de assassinatos cometidos por Stalin, Hitler e Mao - sem mencionar os de uma série de tiranos menores - são todos de responsabilidade do ateísmo". Imediatamente, os ateus gritarão diante de tamanha "mentira", pois, como "bem sabemos", os crimes dos regimes nacional-socialista e internacional-socialista não foram cometidos em nome do ateísmo.

O problema é que, segundo Dinesh, quando se tenta culpar um cristão, que nunca queimou ninguém em uma fogueira, pela Inquisição, é perfeitamente "justo" culpar um ateu pelos crimes do ateísmo, ainda que o ateu também não tenha feito nada. A discussão acaba, inevitavelmente, na acusação de que o ateísmo não prega a violência e a morte, ao passo que é impossível imaginar uma religião sem essas características. E já que chegamos em um momento oportuno para falar de distorções, passemos para as ideias de Sam Harris - talvez o mais inimaginavelmente desonesto não só entre os neo-ateus, mas entre todos os seres humanos vivos nesse exato momento. Segundo ele, o stalinismo e o maoísmo foram "um pouco mais que uma religião política", já que, para livrar a responsabilidade do ateísmo nas ideias socialistas, parece mais sábio comparar esses regimes às religiões, já que o produto que se nota ali são parecidos com as tragédias que as religiões produziram durante a História.

Mas Harris vai além. Em seu The End of Faith: Religion, Terror, and the Future of Reason, diz que "o ódio aos judeus na Alemanha [...] foi uma herança direta deixada pelo cristianismo medieval", e que "o Holocausto marcou o auge de [...] duzentos anos de ataques cristãos contra os judeus"; ou seja, "conscientemente ou não, os nazistas foram agentes da religião". Verifiquemos essas alegações. Dinesh explica que, "durante sua ascenção ao poder, Hitler precisou do apoio do povo alemão - tanto dos católicos bávaros como dos luteranos prussianos - e, para garanti-lo, de vez em quando usava em sua retórica frases do tipo 'estou fazendo a obra do Senhor'. Alegar que essa retórica identifica Hitler como cristão é confundir oportunismo político com convicção pessoal. O próprio Hitler diz em Mein Kampf que suas declarações públicas devem ser entendidas como propagandas sem compromisso com a verdade, mas com o objetivo de influenciar as massas" (Dinesh D'Souza, A Verdade Sobre o Cristianismo, págs. 245-6).

O "cristianismo" de Hitler também já foi abordado aqui (http://www.caosdinamico.com/2010/10/o-valor-da-discussao-religiosa-na.html), e a alegação de que o ódio aos judeus foi uma herança do cristianismo medieval pressupõe que os cristãos sempre odiaram os judeus e, nesse caso, principalmente a Igreja Católica - muitos ateus assumem que, inclusive, a Igreja colaborou com Hitler; outros chamam Bento XVI de nazista, e por aí vai. Cito aqui alguns judeus que testemunharam o que houve, de fato, na época. Segundo Albert Einstein, "só a Igreja Católica protestou contra o assalto hitlerista à liberdade"; o Dr. Alexandre Safran, rabino-chefe da Romênia, escreveu em 1944: "Nestes tempos duros, nossos pensamentos, mais que nunca, voltam-se com respeitosa gratidão ao Soberano Pontífice, que fez tanto pelos judeus em geral... No nosso pior momento de provação, a generosa ajuda e o nobre apoio da Santa Sé foram decisivos. Não é fácil encontrar as palavras adequadas para expressar o alívio e o consolo que o magnânimo gesto do Supremo Pontífice nos deu, oferecendo vastos subsídios para aliviar os sofrimentos dos judeus deportados. Os judeus romenos jamais esquecerão esses fatos de importância histórica". Quando os Aliados libertaram Roma, uma Brigada Judaica afirmou em seu Boletim: “Para a glória perene do povo de Roma e da Igreja Católica Romana, podemos afirmar que o destino dos judeus foi aliviado pelas suas ofertas verdadeiramente cristãs de assistência e abrigo. Mesmo agora, muitos ainda permanecem em lares religiosos que abriram suas portas para protegê-los da deportação e da morte certa" (Joseph Sobran sobre A Difamação de Pio XIIhttp://www.olavodecarvalho.org/convidados/sobran.htm).

A verdade é que as acusações de Harris não são preocupadas com qualquer tipo de investigação sobre o que realmente aconteceu, mas em uma tentativa pura e simples de pregar contra o cristianismo, como é de praxe entre os neo-ateus. Mais sobre as desonestidades de Sam Harris pode ser lido aqui: Religião como loucuraTolerância religiosa. Apesar de ele ser o mais desonesto, ele não é o mais popular, por isso reservarei as maiores críticas a Hitchens e Dawkins. Para mostrar que a ignorância histórica, desonestidade e canalhice são inerentes a cada um dos quatro cavaleiros, deixo o que Harris diz sobre a relação entre a Igreja e a ciência (http://www.caosdinamico.com/2011/02/cristianismo-e-ciencia.html). Segundo ele, a Igreja destaca-se por "torturar estudiosos até o ponto da loucura pelo simples fato de especularem sobre a natureza das estrelas". Um homem que não sente remorso ao mentir desse jeito não merece nada além do desprezo total da humanidade. Botar-se diante dos religiosos como portador da razão e ser tão desonesto é a prova definitiva da falta de caráter dos líderes neo-ateus (http://quebrandoneoateismo.com.br/2010/11/01/quatro-pontos-que-diferenciam-um-ateu-tradicional-de-um-neo-ateu/).

Christopher Hitchens é o ateísta que aparentemente não só não acredita em Deus, mas odeia a mera possibilidade d'Ele existir. Alguns discursos de Hitchens deixam claro o seu ódio para com o que ele chama de "ditador celestial". Bem como Darwin, Hitchens parece não poder perdoar um Deus que comete tantas injustiças, ou melhor, que permite tantas injustiças e priva-nos da nossa liberdade, como uma espécie de espião que nos observa durante cada segundo de nossa vida. Não é uma surpresa tão grande descobrir que seu irmão, Peter Hitchens, que se converteu ao cristianismo, escreveu um livro entitulado The Rage Against God (A Raiva Contra Deus), pois é precisamente isso que percebemos em Christopher.

Apesar de Hitchens ser considerado por muitos o mais notável entre os quatro cavaleiros, seus confrontos com cristãos lhe saíram muito caro. Os admiradores do jornalista inglês tendem a desenvolver uma grande aversão a Dinesh D'Souza, com quem já debateu várias vezes. São bastante curiosas as acusações de que Dinesh distorce informações, é desonesto e covarde, pois são precisamente essas características que mais notamos nos neo-ateus, e Hitchens não é exceção. Quando debateu com William Lane Craig, deixou clara a sua incompetência como defensor de uma postura que ele julga racional, fugiu das perguntas, não mostrou argumentos em favor do ateísmo e chegou a ter como recompensa toda a plateia rindo de sua cara. O website ateísta commonsenseatheism.com, escreveu sobre o debate entre Hitchens e Craig: "Francamente, Hitchens foi espancado feito uma criança bobinha" (http://commonsenseatheism.com/?p=1230). Mas é engraçado ver que há muitos ateístas que pensam que Hitchens massacrou Craig - vide exemplo dado alguns parágrafos acima -, e eu realmente não consigo imaginar como chegar a tal conclusão.


Os argumentos de Hitchens giram em torno de uma revolta pessoal contra Deus e a ideia de que o mundo seria muito melhor sem religiões. No mesmo debate contra Craig, ele citou as atrocidades causadas em nome da religião, e a resposta de Craig, quando instigado a comentar sobre as atrocidades ateístas no século passado, foi que isso era irrelevante para o debate, e que ele estava preocupado com qual visão de mundo estava certa, e não com seu impacto social. Acuado, Hitchens disse concordar completamente, e que só citou isso para mostrar que pessoas más usam Deus para justificar suas más atitudes. Mas em seus debates com Dinesh, usou e abusou dos mesmos argumentos, pois para ele a religião é necessariamente um sinônimo de maldade.

Hitchens também promoveu, junto com Dawkins, a campanha que pretendia prender o Papa Bento XVI, além de já ter tentado processá-lo. Por quê? Por Bento XVI ter supostamente acobertado um crime de pedofilia em 1979. Acontece que, ao invocar a Justiça, Hitchens precisa respeitar essa Justiça, mas essa parte ele parece "pular". O padre acusado em 1979 de abusar de um menino de onze anos na cidade alemã de Essen nunca foi julgado nem muito menos condenado pela Justiça comum. Não havendo a respeito uma sentença transitada em julgado, ninguém tem, em nome da Justiça, o direito de proclamar que houve crime. Se nem o crime é confirmado, como pode sê-lo o seu "acobertamento"? Pela lógica, é preciso provar primeiro uma coisa, depois a outra, não ao contrário. O que houve, em vez de prova judicialmente válida, foi apenas uma suspeita séria, com base na qual o então cardeal Ratzinger ordenou que o acusado fosse submetido a tratamento psiquiátrico e removido para um posto administrativo em Munique onde não tivesse contato com crianças (http://www.olavodecarvalho.org/semana/100322dc.html).

A tentativa de Hitchens de condenar alguém por acobertar um crime que a Justiça não disse que foi cometido retrata perfeitamente o seu caráter mesquinho e a sua tentativa baixa de vingança contra todos que representam o Deus que ele odeia. Como um homem assim quer falar em justiça ou acusar alguém de algum crime? Se alguém deve ser acusado de algum crime nessa história, é ele mesmo, que quer culpar alguém por um crime que nem ele pode dizer se foi cometido. Acusar religiosos de imorais e ao mesmo tempo agir dessa maneira? Mais uma prova de que o neo-ateísmo não é capaz de se manter vivo a não ser pelo self-selling - e não é estranho que quem é normalmente convencido por essas conversas não tem maturidade nenhuma, além de compartilhar a mesma rebeldia que Hitchens nunca foi capaz de superar.

Quanto a Richard Dawkins, apesar de eu já ter dedicado um texto só para ele, é impressionante como ele continua surpreendendo. Mas em meio às suas propagandas e discursos para adolescentes, veio a notícia de que ele participaria de uma discussão em que o Dr. Craig também estaria presente. Era a oportunidade pela qual muitos esperavam, e apesar de não ter sido um confronto direto e haver pouco tempo para cada convidado fazer sua defesa de caso, foi o suficiente para deixar claro o motivo de Dawkins ter tanto medo de debater com Craig, face to face. Dessa vez, no entanto, a ridicularização do adversário e um discurso de superioridade não bastariam para convencer a plateia. O debate na íntegra está disponível aqui: http://quebrandoneoateismo.com.br/2010/11/22/debate-craig-e-dawkins-legendado-agora-tambm-com-udio-original/. O resultado vergonhoso para Dawkins, abaixo.


Os teístas que estão cientes dos discursos neo-ateus e têm acompanhado os admiradores das falácias personificadas provavelmente sabem que os fãs de Richard Dawkins adoram tratar Craig como um simples mentiroso, irracional, mero filósofo que não sabe usar a Lógica. Esse é, aliás, o discurso do próprio Dawkins. Porém, se há algo que esse debate deixou claro, foi isso: no campo da Lógica, Dawkins provou ser completamente incompetente. A incoerência do seu discurso e evasão frequente diante dos argumentos adversários não depõem em seu favor. Apenas os jovens cujas vidas foram mudadas pelo Deus, um delírio, não conseguem aceitar isso.

Outro episódio interessante, refere-se ao fórum de Dawkins, que foi extinto. Em seu lugar, foi aberto uma área de discussão, mas com uma grande novidade: os comentários são moderados (http://www.youtube.com/watch?v=BgqZU3n0jbc). Apologistas cristãos participavam frequentemente no fórum, respondendo diariamente às afirmações neo-ateístas. Qual a melhor maneira de vencê-los? Impendindo-os de se manifestar. Agora o website funciona basicamente da seguinte maneira: um tópico é aberto, e os ateus estão livres para comentar, inclusive contra os religiosos, mas se um religioso quiser respondê-los, é grande a chance de seu comentário não acabar na página de discussão. Eis os defensores da razão mostrando como vencer a fé cega cristã.

Voltando à carreira de Dawkins como debatedor, além de ter recusado debater diretamente com William Lane Craig, ele também recusou confrontar Dinesh D'Souza, Michael Behe e, pior do que ter recusado debater com esses citados, também negou ter debatido com o rabino Boteach, em 1996 - debate que Dawkins perdeu, segundo votação dos alunos. O rabino, ao descobrir que Dawkins havia negado o debate, imediatamente disponibilizou uma gravação no Youtube, desmentindo de uma vez por todas o biólogo. Atualmente, há até uma petição online que visa pressionar Dawkins a aceitar o desafio de Craig (http://manawatu.christian-apologetics.org/sign-the-dawkins-petition/).

Sobre a recusa de debater com Dinesh, o Dr. Jamie Glazov escreveu: "D'Souza debateu com Daniel Dennett, Christopher Hitchens, Peter Singer, Michael Shermer, Dan Baker e outros ateus conhecidos. Ele cortou esses caras em pedaços, intelectualmente. Harris e Dawkins estão apenas com medo de encarar D'Souza". Em adição às críticas destinadas a postura covarde de Dawkins, vale apresentar as críticas ao seu livro em defesa do ateísmo, The God Delusion. Andrew Brown, da Prospect Magazine, escreve: "Há anos estava claro que Dawkins estava prestes a escrever um livro sobre religião, mas quem seria capaz de imaginar que ele escreveria um tão ruim? Negligente, dogmático, desconexo e auto-contraditório, não tem nada do estilo ou energia de suas obras antigas". Terry Eagleton, do London Review, diz: "Racionalistas de carteirinha como Dawkins são de alguma forma os menos preparados para entender o que eles castigam, já que eles acreditam que não há nada para eles entenderem, ou nada que valha a pena entender".

Eagleton está certo, Dawkins realmente não acredita que há algo a ser entendido, e assumiu isso publicamente, talvez com a resposta mais infantil da história do neo-ateísmo, quando comentou a importância da teologia: "A maioria de nós desqualifica sem problemas as fadas, a astrologia e o Monstro de Espaguete Voador, sem precisar afundar em livros de teologia pastafariana, e assim por diante". Bravo, Mr. Dawkins! Para seus fãs, tal resposta é tão plausível, que se botariam em pé para aplaudi-la. E por que digo isso? Por que já se levantaram para aplaudir muito menos...



Então, é realmente triste ver que pessoas tão ignorantes em História e Filosofia, e completamente cientificistas são tão aclamadas injustamente. Ao mesmo tempo é confortante saber que o neo-ateísmo se sustenta fundamentalmente na promoção de mentiras; não há veracidade em suas alegações, não há escrúpulos em seus métodos nem ética em seus ensinos. Se há alguém que não pode falar uma única palavra contra as religiões, esse alguém é precisamente o neo-ateu. Liderado por covardes mentirosos e desonestos, o movimento depende de adolescentes ingênuos e rebeldes de várias idades para crescer.

Não importa a técnica utilizada, a tentativa de ridicularizar a fé alheia ou a tentativa sem fim de se vender: não há nada tão fácil quanto desmascarar o neo-ateísmo. Se eles acreditam sinceramente que o cristinianismo cairá diante desse choro infantil que eles vem ecoando, vão morrer sem ver os resultados de sua birra. A basear-se nos cabelos brancos de três deles, eu não seria tão otimista. Enquanto o cristianismo está vivo há mais de dois mil anos, é difícil acreditar que o neo-ateísmo durará um único século.

Enquanto Dawkins e Harris fogem de debates e Hitchens e Dennet não conseguem se sair bem, mesmo os ateus reconhecem a competência dos cristãos. O ateu Luke Muehlhauser escreve: "William Lane Craig [...] é o melhor debatedor - em qualquer tópico - que eu já conheci. Até onde eu sei, ele venceu praticamente todos os seus debates com ateus" (http://commonsenseatheism.com/?p=392). Ateus também reconhecem que o então cardel Joseph Ratzinger vencera o ateu Paolo d'Arcais. Marcelo Coelho escreve: "Flores d'Arcais não sai vitorioso, entretanto, do debate com Joseph Ratzinger. Quando se trata de defender princípios universais e inalienáveis, como os direitos humanos, nosso ateu de plantão cai na armadilha do relativismo" (http://paginadoenock.com.br/home/post/5032). É possível até desconfiar por que os neo-ateus preferem fugir, palestrar, moderar seus fóruns, etc. Se alguém que se diz racional consegue ser derrotado por alguém que é tido como ápice da irracionalidade, é necessário desconfiar um pouco mais da alegação ateísta. Parece que as coisas funcionam ao contrário do que eles nos descrevem, afinal...




Referências e recomendações:
  1. The root of all evil
  2. Dawkins and Boteach
  3. The Dawkins Delusion
  4. The Dawkins Delusion?
  5. All about Dawkins failures
  6. Why Critics of the Bible Do Not Deserve the Benefit of the Doubt
  7. The Grand Design
  8. Papai Noel, Fadas do Dente, e Deus
  9. Difamação pura e simples
  10. Simpósio sobre Pio XII e Hitler
  11. Hitchens contra o Papa
  12. Dawkins contra o Papa
  13. Hitchens, um neo-ateu de segunda divisão
  14. Ratzinger vs. d'Arcais
  15. Truques neo-ateístas
  16. What's So Great About Christianity
  17. How the Catholic Chruch Built Western Civilization
  18. Reasonable Faith
  19. On Guard
  20. The Rage Against God

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More